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Ministro liga milícias a morte de Marielle Franco

Assassinato de Marielle aponta para envolvimento da milícia, diz Jungmann
Marielle foi morta no dia 14 de março, no bairro do Estácio. Foto: Reprodução

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse nesta segunda-feira (16) que o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) pode ter ligação com milícias.

Esses grupos criminosos são tradicionalmente formado por pessoas ligadas às polícias, mas, nos últimos anos, passaram a recrutar também bandidos ligados ao tráfico.

Na prática, eles vendem proteção, extorquem comerciantes e exploram ilegalmente serviços como transporte coletivo, distribuição de gás, internet e TV a cabo.

“As investigações avançam e têm afunilado possibilidades. Uma delas é que seja crime ligado a milícias”, disse Jungmann, em evento no Rio.
O ministro, porém, não soube explicar o que leva os investigadores a essa hipótese.

“Quem pode responder isso é o chefe da Polícia Civil”, disse, quando questionado sobre que tipo de indícios há da participação de milicianos.
Em 2008, Marielle atuou na CPI das Milícias, que pediu o indiciamento de 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis.

Jungmann enfatizou que a morte a tiros de Marielle e do motorista Anderson Gomes, ocorrida em 14 de março, é alvo de uma investigação “rara”, porque as provas são materiais, e não testemunhais. “Não se identificou nenhuma ameaça a ela, o que deixa as investigações apenas no âmbito da materialidade -cápsulas, impressões digitais.”

O assassinato da vereadora ocorreu em meio à intervenção federal na segurança do Rio, decretada em 16 de fevereiro. O general Walter Braga Netto foi nomeado interventor pelo presidente Michel Temer (MDB) e se tornou responsável pelo controle das polícias e do setor prisional.

POLÍTICO

Aliado de Marielle, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) criticou durante a tarde a fala de Jungmann.

“Não cabe a nenhum ministro, não cabe a nenhum político, ficar falando sobre linha de investigação. Cabe a quem investiga”, afirmou.

“Não quero saber quem é mais ou menos suspeito, quero saber quem mandou matar e quem matou”, disse.

A declaração de Freixo aconteceu depois de reunião entre familiares e investigadores para apresentar o andamento do caso.

O chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, afirmou que “respeitamos a posição e o comentário de todos, mas a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro só vai comentar a autoria e a motivação no final da investigação”.

Para a viúva de Marielle, a arquiteta Monica Benício, o que interessa é “não qualquer resultado, mas o resultado correto”, disse. “Estamos saindo daqui um pouco mais acalentados”, afirmou.

VEREADORES

O assassinato da vereadora Marielle completou um mês no sábado (14) sem que a polícia tenha localizado autores ou mandantes.

O secretário da Segurança Pública, general Richard Nunes, chegou a dizer que a principal linha de investigação era a de motivação política.

“Não há dúvidas de que a atuação política dela, não só no momento, mas até a projeção de futuro do que ela poderia representar, indica que a gente tem que ter um olhar mais acurado nesta direção. Isso é inegável”, disse o secretário, em entrevista à Globo News. Ele também afirmou que foi descartada a hipótese de crime passional.

Diversos vereadores prestaram depoimento como testemunha -entre eles, um indiciado na CPI das Milícias.

O assistente de um vereador que deu depoimento à Polícia Civil foi assassinado no domingo (8). Ainda não está claro se o crime teve relação com a morte da vereadora.

Quando lhe foi perguntado se está descartada a hipótese de participação de vereadores no crime, o ministro Jungmann disse que “não se pode descartar nada”.

Marielle foi morta após sair de um encontro de mulheres negras na Casa das Pretas, na Lapa, no centro do Rio. O carro onde ela estava foi atingido por nove tiros.

A vereadora estava no banco de trás de um carro com sua assessora, que sofreu ferimentos leves. Na frente, estava seu motorista, Anderson Gomes, que também morreu.

ESCOLTA

Em resolução publicada nesta segunda no Diário Oficial, o secretário Richard Nunes determinou que 87 policiais militares cedidos à Assembleia Legislativa fluminense voltem aos batalhões.
Isso incluía PMs que fazem escolta pessoal de Freixo desde que ele comandou a CPI das Milícias. No fim do dia, no entanto, a pasta voltou atrás em relação aos agentes cedidos ao deputado.

“Enquanto nós não soubermos quem fez, essa suspeita [do assassinato da vereadora Marielle] fica sobre muita gente. Há ao que tudo indica uma motivação política para esse homicídio, e evidentemente qualquer pessoa próxima a Marielle nesse sentido tem que tomar mais cuidado”, afirmou Freixo.

“Não é possível que nesse momento, nessa situação, se retire qualquer policial da minha escolta”, completou.

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