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Apesar de retomada, renda do brasileiro cai em 2017

Apesar de retomada, renda do brasileiro cai em 2017
Perda de empregos com carteira puxou queda do rendimento. Foto: Arquivo

A retomada da economia ainda não chegou à renda dos brasileiros, que caiu 0,5% em 2017, considerando salários e outras fontes, como aposentadoria, pensões, aluguéis e programas sociais. A queda foi puxada pelos salários, ainda como reflexo da crise do mercado de trabalho.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal dos brasileiros que declararam ter alguma renda em 2017 foi de R$ 2.112, contra R$ 2.124 no ano anterior. Considerando apenas aqueles que trabalham, a queda foi de 1,3%, para R$ 2.237.

As informações são da pesquisa Rendimento de Todas as Fontes, feita com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e divulgada pela segunda vez pelo IBGE. Por isso, não há comparações de médio e longo prazos.

“Os números mostram que o Brasil vinha de uma situação muito ruim e continuou muito ruim”, disse o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando de Holanda Barbosa Filho. “A recuperação do fim de 2017 ainda não teve efeito na renda.”

Para o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) da FGV, o Brasil começou a sair, no último trimestre de 2016, de um período recessivo que durou 11 trimestres. Em 2017, o PIB teve alta de 1%, puxado pela agropecuária e retomada de investimentos.

A pesquisa do IBGE mostrou que a perda de renda atingiu desde os mais ricos aos mais pobres. No grupo que compreende os 1% com maior renda, a queda foi de 2,9%, para R$ 27.213, em média. Entre os 5% mais pobres, contingente que soma cerca de 4,5 milhões de pessoas, a situação foi pior: queda de 38,16%, para R$ 47, ante R$ 76 no ano anterior.

A perda de poder aquisitivo foi puxada pela região Sudeste, mais afetada pela crise da indústria. Nas outras quatro regiões, houve estabilidade ou leve recuperação.

“Houve perda expressiva no emprego com carteira assinada, que afetou muita gente que trabalhava em setores com altos salários, como petróleo, e problemas de pagamento a servidores”, disse o coordenador do IBGE, Cimar Azeredo.

Desigualdade

O cenário levou à queda da participação da renda do trabalho no rendimento médio do brasileiro, que passou de 74,8% para 73,8%. Em comparação a 2016, o número de brasileiros que receberam rendimentos de todos os trabalhos caiu 0,4%, para 86,785 milhões. Os que têm outras fontes de renda cresceu 1,3%, para 49,957 milhões.

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