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Temer nomeia investigado para agência reguladora e diz que não sabia

O presidente Michel Temer nomeou o engenheiro Mário Rodrigues Júnior para o cargo de diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O executivo foi citado em depoimentos de empreiteiros alvo da Lava Jato por suposta participação em esquema de corrupção nas obras do Rodoanel de São Paulo.

Questionado pela reportagem, o Palácio do Planalto informou que o presidente não tinha conhecimento das denúncias contra o executivo, mas não adiantou se ele recuará da nomeação, publicada nesta terça (20) no Diário Oficial da União.

Júnior substituirá Jorge Luiz Macedo Bastos e terá mandato até 18 de fevereiro de 2020. Ele é apadrinhado político do PR, partido controlado pelo ex-deputado condenado no mensalão Valdemar Costa Neto.

Desde agosto de 2016, já ocupava um cargo de diretoria na ANTT. Antes, exerceu funções de comando na Valec, a estatal federal de ferrovias, e na própria agência reguladora.

O novo diretor-geral da ANTT, órgão que fiscaliza os serviços de exploração da infraestrutura de transportes, é investigado por sua atuação como diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) em gestões tucanas. Coube a ele conduzir a licitação para um dos trechos da obra, em 2006.

Após as delações da Odebrecht, um inquérito sobre o caso foi aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar o senador José Serra (PSDB-SP), ex-governador de São Paulo, por supostos pagamentos indevidos relacionados ao empreendimento. O senador nega participação em quaisquer irregularidades.

Conforme os depoimentos à Polícia Federal e ao MPF (Ministério Público Federal), Júnior foi o responsável por recolher comissões das empresas interessadas em executar os serviços. Os valores teriam sido destinados a campanhas do PSDB.

‘ACORDO’

O executivo Roberto Cumplido, ex-diretor de Contratos da Odebrecht em São Paulo que fez delação premiada, contou à PF que as empresas fizeram “acordo de mercado” para vencer a licitação para o Rodoanel Sul com desconto mínimo em relação ao preço estabelecido no edital.

Afirmou que, em contrapartida, Júnior solicitou recursos para, supostamente, repassar para o partido.

“Júnior mencionava que deveria arrecadar recursos para o PSDB. De fato, após a licitação, efetuou o pagamento de R$ 1,2 milhão para Júnior. Concordou com o pedido feito por Júnior, tendo em vista que, de fato, foram incluídos serviços no edital do Rodoanel Sul, conforme demanda das empresas”, declarou Cumplido num dos depoimentos.

Segundo Cumplido, o dinheiro foi entregue em espécie ao então diretor da Dersa num endereço indicado por ele próprio. O delator relatou que todas as empreiteiras participantes da concorrência foram procuradas para fazer pagamentos a Júnior na proporção de sua participação nas obras.

O executivo da OAS Carlos Henrique Barbosa Lemos, líder operacional da empreiteira em São Paulo, também acusou Júnior de integrar o suposto esquema de corrupção. Em depoimento à PF, ele contou que, em troca de facilidades para conseguir participar das obras, as empreiteiras concordaram em pagar R$ 30 milhões para reforçar o caixa de campanhas tucanas.

“Caberia a cada empresa realizar o pagamento solicitado diretamente a Júnior”, contou.

Os recursos, segundo ele, tinham de ser entregues ao agora diretor-geral da ANTT. O executivo relatou que, no caso da OAS, o repasse foi de R$ 2,3 milhões, parte em espécie e parte em doações oficiais ao partido.

Em nota, a ANTT informou que o novo diretor-geral não comenta “conteúdos que serão objeto de exame pelo Poder Judiciário”.

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