Esportes, Olimpíadas

Lava Jato mira escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016

Nuzman é um dos alvos da operação da Polícia Federal. Foto: ArquivoA Polícia Federal deflagrou ontem (5) a Operação Unfair Play com objetivo de prender o empresário Arthur Menezes de Soares, conhecido como “Rei Arthur”, e Eliane Cavalcante, sócios de empresas de fornecimento de mão-de-obra para o governo do Rio.

Além de pagamentos de propina ao ex-governador Sérgio Cabral, Soares é suspeito de ter auxiliado na compra de votos de membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a escolha do Rio como sede da Olimpíada em 2009.

Um dos alvos da operação é o presidente do comitê organizador dos Jogos e do Comitê Olímico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman. O juiz Marcelo Bretas autorizou a intimação do cartola para depor.

Durante a operação, a Polícia Federal encontrou na casa de Nuzman R$ 480 mil em dólares, libras, reais e euros.

O Ministério Público Fe­deral pediu o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas de Nuzman e dos outros suspeitos de envolvimento na compra de votos do COI para pagamento de danos morais coletivos. O órgão afirma que o pedido tem como objetivo reparar o dano à imagem do Brasil causado pelo escândalo.

Setenta policiais federais cumpriram outros 11 mandados de busca e apreensão em sete bairros do Rio, em Nova Iguaçu (RJ) e em Paris.

Trata-se de uma nova fase da Lava Jato no Rio, com as decisões expedidas pelo juiz Marcelo Bretas. Os presos serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As investigações começaram há nove meses e ocorrem em cooperação com autoridades francesas e americanas. Os subornos aconteceram, segundo a PF, por meio de contratos fictícios de prestação de serviços, com repasses de dinheiro em espécie e para contas no exterior, além do pagamento de despesas pessoais.

Rei artur

Dono do Grupo Facility, Soares Filho é investigado por procuradores da Operação Calicute, o braço fluminense da Operação Lava Jato. Apelidado de “Rei Artur” por sua proximidade com Sérgio Cabral, Soares Filho recebeu quase R$ 3 bilhões por contratos assinados com o Estado durante os oito anos da gestão passada.

Soares é apontado como o maior fornecedor de serviços terceirizados por meio de empresas ligadas ao Grupo Facility. Em janeiro, o empresário deu depoimento aos procuradores da Calicute e afirmou ser amigo pessoal do ex-governador, preso no ano passado.

No depoimento, o empresário disse que começou a trabalhar no setor público em 1994 e não se lembrava de quando constituiu a Facility como empresa principal do grupo.

Na investigação, os procuradores constataram que as empresas do empresário repassaram cerca de R$ 1 milhão para o escritório de advocacia da ex-mulher de Cabral, Adriana Ancelmo. Questionado, Soares Filho disse que contratou o escritório de Adriana por recomendação do ex-governador. O empresário negou que o pagamento serviria como propina ao casal.

Outro lado

O advogado que representa Nuzman, Sérgio Mazzillo, afirmou que seu cliente não cometeu ilegalidades e que o processo de disputa a sede das Olimpíadas não contou com compra de votos.

Mazzillo alegou que ainda não teve acesso aos autos do processo e que não faria mais comentários. “Não há fortes indícios de nada. Ele (Nuzman) disse que não atuou de maneira nenhuma irregular. Nada de errado foi feito na campanha. Nenhuma ilegalidade foi cometida pelo meu cliente. As explicações serão dadas”, afirmou.

O COI afirmou que está a par da operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (5) que tem Carlos Arthur Nuzman como um dos alvos e tem feito “todo o esforço possível” para obter mais informações e, então, considerar quais medidas tomará. “O COI soube destas circunstâncias (da operação) por meio da imprensa e está fazendo todo o esforço possível para obter o máximo de informações. É do mais alto interesse do COI esclarecer este assunto”, disse o comitê, por meio de nota.

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