Economia, Notícias

Crise política pode deixar nascidos entre setembro e dezembro sem sacar FGTS

Agências da Caixa Econômica Federal já liberaram R$ 24,4 bilhões em depósitos. Foto: ArquivoA crise política deflagrada pela delação do Grupo JBS pode impedir os nascidos entre setembro e dezembro de sacar o dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A medida provisória (MP) que autorizou a retirada do dinheiro perderá a validade no dia 1º de junho se não for votada na Câmara dos Deputados e no Senado, o que inviabilizaria a conti­nuidade do cronograma de pagamentos anunciado em fevereiro pelo governo.

Para autorizar o saque das contas inativas, o governo publicou em 23 de dezembro do ano passado a MP 763/2016. Uma medida provisória vale por 60 dias, mesmo antes de ser aprovada pelo Congresso, e pode ser prorrogada por igual período uma única vez. Como a publicação ocorreu durante o recesso parlamentar, a vigência começou no dia 2 de fevereiro e foi prorrogada dois meses depois.

As próximas liberações estão previstas para 16 de junho (nascidos entre setembro e novembro) e 14 de julho (nascidos em dezembro).

A MP do FGTS está prevista para ser votada amanhã (24), na Câmara, juntamente com outras sete medidas provisórias. A 763/2016 é o quinto item da pauta – a ordem só pode ser alterada por meio de acordo de lideranças.

O Palácio do Planalto garante que há acordo para votar a proposta nas duas casas legislativas. “Precisa­mos ter nossas energias focadas na agenda econômica, que garante desenvolvimento social para todos”, disse ontem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “A Câmara e sua presidência não serão instrumentos para desestabilizar o governo”, prosseguiu.

Porém, o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP), afirmou que a oposição vai obstruir todos os trabalhos até que o presidente Michel Temer renuncie. “Vamos fazer obstrução permanente com objetivo de que não se vote nada na Câmara até que se resolvam esses problemas.”

Impacto

O governo espera que os saques injetem pelo menos R$ 29 bilhões na economia brasileira. A Caixa Econômica Federal informou que, até 16 de maio, já liberou R$ 24,4 bilhões para trabalhadores nascidos entre janeiro e agosto, o que corresponde a 84,3% do total inicialmente previsto.

O presidente do banco público, Gilberto Occhi, acredita que, mantido o ritmo atual de saques, o total de recursos liberados pode chegar a R$ 36 bilhões, o equivalente a um impacto de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Deixe seu comentario

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*