Editorias, Notícias, Política

Lula se chama de candidato durante evento em Brasília

Parecia um ato falho. Após vinte minutos de discurso nesta quinta-feira (12) em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se chamou de “candidato” para, em seguida, corrigir-se e voltar ao costumeiro condicional: “Se cuidem, porque se eu voltar para ser candidato a presidente da República é para fazer mais do que fizemos”.

O ex-presidente elencava realizações de seu governo durante discurso no 33º Congresso Nacional da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) quando deixou os óculos escaparem das mãos ao tentar alcançá-los para consultar alguns dados. E brincou: “Esse país já fez tanta coisa que o candidato não consegue segurar os óculos”.

Entre ataques ao governo do presidente Michel Temer e a defesa do que diz ser o legado petista, o ex-presidente disse que é preciso “ter consciência” de que o PT “está perdendo” e fez uma rápida análise sobre a crise carcerária pela qual o país está passando. Para ele, o caos nos presídios do Norte, que matou 99 pessoas em uma semana, é fruto do que foi “plantado”.

“A gente está colhendo o que foi plantado há muito tempo. Vocês ficam revoltados porque um jovem de 25 anos foi preso? Quem é o culpado pelo jovem preso? O que deram de oportunidade quando ele tinha sete ou nove anos? Se eu não dou educação, oportunidade para trabalhar, essa pessoa vai fazer o que na vida?”, questionou.

Política carcerária

Segundo Lula, a política carcerária no Brasil serve para “piorar a vida” do preso. “O cara que roubou uma galinha, sai pior (da cadeia)”, disse o petista, citando dados divulgados pela presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, sobre o custo anual de um estudante da rede básica de ensino ser “treze vezes menor” que o custo por ano com um presidiário.

O ex-presidente, mais uma vez, pediu eleições diretas ainda em 2017 e disse que o presidente da República só terá credibilidade se for eleito pelo povo.

“Precisamos ter consciência de que estamos perdendo e, para tentar recuperar esse país, é preciso que tenha alguém com credibilidade. E só terá credibilidade alguém eleito, não alguém que chegou ao poder pela porta dos fundos. Todo mundo pode ser presidente, mas quer ser presidente vai disputar eleição”, afirmou.

Deixe seu comentario

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*