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Diadema recebe Encontro dos Educadores da Rede Adventista de Educação

O professor Júlio Furtado estará na próxima terça-feira (17) em Diadema, para o Encontro dos Educadores da Rede Adventista de Educação, e apresentará, das 16h às 17h30, a palestra ”A gestão da sala de aula: construindo caminhos para uma aprendizagem significativa”. O evento será na rua Manoel da Nóbrega, 480 – Centro, para um público composto por professores da Rede Adventista de Educação (da Educação Infantil ao Ensino Médio).

Júlio Furtado é mestre em Educação pela UFRJ. Pós-graduado em Orientação Educacional. Doutor em Ciências da Educação e Diplomado em Psicopedagogia pela Universidade de Havana, Cuba. Graduado em Pedagogia.  Segundo Furtado, falta uma maior compreensão de como levar os alunos a construírem sentido sobre o que aprendem. Nós professores somos muito mais formados pelo convívio que tivemos com os nossos professores do que pelas “didáticas” e “fundamentos” que supostamente aprendemos. O modelo “ensinar é falar e aprender é ouvir” está muito mais entranhado em nossos genes do que imaginamos e somos fortemente movidos por esse paradigma. É preciso que lutemos  contra cansaço e descubramos o prazer de promover aprendizagens significativas.

Os professores precisam oferecer aulas mais significativas, que instiguem à construção de sentido por parte dos alunos. “Uma aula significativa é aquela em que o professor se preocupa em ajudar o aluno a construir sentido sobre o conteúdo e isso começa com a mediação didática por parte do professor.Furtado defende que instigar é mais do que motivar. É provocar e convidar à superação. A tríade livro-lousa-giz pode sim ser um instrumento de instigação se bem utilizada pelo professor. Já vi aulas altamente instigantes a partir desse trio de recursos, assim como já vi aulas eletrônicas e totalmente digitais entediantes e desinteressantes. Acho que a tecnologia é componente muito importante da relação ensino-aprendizagem, mas não determinante. As habilidades de argumentar, envolver e contar histórias são essenciais para o processo de instigação. Acho, inclusive, recomendável a potencialização desse modelo como contraponto “humanizante” da relação de aprendizagem num mundo tão eletrônico e tão digital.”

Furtado acredita que o desrespeito à profissão em todos os sentidos contribuem para a diminuição da autoestima do professor e para a desmotivação com a profissão. “Antes de mais nada, o professor é gente e é afetado por todo esse processo em que estamos inseridos. Penso que a capacidade do professor de se auto motivar  não é infinita. Tenho visto muitos professores altamente comprometidos com a sua profissão desistirem, o que é muito triste. Acha que chegamos ao fundo do poço e a mola propulsora será o quanto que educar nos faz feliz, mesmo com os entraves.”

Segundo o especialista, a família precisa educar para os valores morais de forma que a criança chegue na escola em condições de ser educada para os valores sociais, coletivos. “Já sabemos que a família não vem cumprindo bem o seu papel. Esse discurso já é antigo. Se a escola cruzar os braços diante da inabilidade da família em cumprir o seu papel, será necessário fechar as escolas e pensar num novo modelo de educação socializadora. Penso que a escola precisa se reinventar nesse sentido. Oferecer espaços de discussão e formação da família é um dos caminhos que tenho visto dar bons resultados.”

Para Furtado, professores também são pais e mães que estão em conflito na educação de seus filhos. Filhos de professores também apresentam problemas na escola (E como apresentam!). Lembro isso para que nos sensibilizemos que só a soma de forças nos levará a algum bom resultado.

 

Em relação às mudanças no ensino médio, o especialista destaca que a medida Provisória causou um alvoroço nas redes sociais e nos meios educacionais, quando, de forma pouco democrática, flexibilizou o currículo do Ensino Médio, abrindo as possibilidades de torná-lo mais eficaz e mais próximo das necessidades da faixa etária de seus alunos. “O alarde foi muito mais provocado pela forma como a reformulação foi apresentada e pela falta de clareza em detalhes essenciais como quais serão as disciplinas obrigatórias do que pela oposição à reforma em si.”

Furtado defende que ninguém, em sã consciência, pode aplaudir um modelo de Ensino Médio ineficaz e desconectado do contexto de vida dos jovens. “Para os que ainda resistem, os dados são contundentes. Metade dos alunos que ingressam no Ensino Médio não o concluem. Há quase 20% de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola. O modelo enciclopédico que pressupõe que todos irão para universidade somente atende a quem pode bancar o Mercado das escolas que “preparam” para o ENEM, fazendo com que as universidades públicas continuem a ser reduto quase exclusivo das classes mais altas, ou seja, um modelo falido quando se fala de um processo de Educação realmente democrático”, pontuou.

Furtado acredita que alguns dos pontos positivos são não obrigar o aluno a estudar treze disciplinas obrigatórias como se todos almejassem a universidade nesse momento de vida e a possibilidade do aprofundamento na área de maior interesse para aqueles que pretendem entrar na universidade. “Entre os negativos, a progressiva migração para o horário integral pode afastar alguns alunos que precisam trabalhar em meio expediente, o que exigirá providências de reestruturação do Ensino Médio no formato EJA (Educação de Jovens e Adultos) noturno e serão necessários altos investimentos no aparelhamento das escolas e na formação de professores para que o modelo dê certo.”, ressaltou.

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