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Produção de veículos caiu 11,2% no ano passado e regrediu ao patamar de 2004

 

Em um cenário de demanda mais fraca e de oci­o­sidade nas fábricas que beira os 50%, a produção de veículos no Brasil regrediu no ano passado ao patamar de 2004.

Em 2016, deixaram as linhas de montagem 2,16 milhões de automóveis e comerciais leves e pesados, segundo balanço divulgado ontem (5) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume é 11,2% inferior aos 2,43 milhões de unidades pro­duzidos no ano anterior.

Trata-se do terceiro ano consecutivo de retração na fabricação de veículos. A Anfavea previa recuo menor, de 5,5%, mas problemas da Volkswagen com seus fornecedores, que levaram a montadora a interromper a produção por cerca de um mês, inviabilizaram a projeção.

Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, as montadoras emplacaram em dezembro o segundo mês consecutivo com produção superior a 200 mil unidades.

O licenciamento de autoveículos, por sua vez, somou 2,05 milhões de unidades, com queda de 20,2% ante o total comercializado em 2015 (2,57 milhões).

Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, vários fatores contribuíram para o resultado de 2016. “O primeiro é a confiança em baixa, em razão da instabilidade política do país, que fez investidores e consumidores adiarem suas decisões. O segundo é o acesso ao crédito, resultado da conjuntura socioeconômica, que tornou as instituições financeiras muito seletivas na hora da concessão. Como consequência, a participação de vendas financiadas no total do licenciamento regrediu aos patamares mais baixos da série histórica”, disse.

Segmentos

No corte por segmentos, o de automóveis e comerciais leves encerrou o ano passado com queda de 11% na produção, para 2,078 mi­lhões de unidades, enquanto o licenciamento recuou 19,8%, para 1,989 milhão.

O segmento de caminhões e ônibus, por sua vez, encerrou o ano passado com queda de 17% na produção, para 79,3 mil unidades, enquanto o licenciamento despencou 30,2%, para 61,7 mil.

Nas exportações, o cenário foi de alta: foram negociadas 520,3 mil unidades com outros países em 2016, alta de 24,7% sobre as 417,3 mil unidades do ano anterior.

Para 2017, a previsão de produção é de 2,41 milhões de unidades, 11,9% acima do registrado no ano passado.

“A conjuntura macroeconômica indica fatos positivos, como aumento do PIB (Produto Interno Bruto), inflação convergindo para o centro da meta, reduções contínuas da Selic e estabilização do dólar. Além disso, a PEC do teto dos gastos foi aprovada, vivenciamos estabilização do ritmo de vendas e teremos uma base baixa de comparação”, afirmou Megale.

Estoques

As montadoras encerraram 2016 em­pregando 121 mil trabalhadores, o que significa que 9,3 mil vagas foram fechadas durante o ano passado. O estoque de trabalhadores atual é o menor desde 2007. Só na passagem de novembro para dezembro as empresas extinguiram 2,1 mil postos.

Outros 9 mil empregados estão atualmente com algum tipo de restrição na jornada, seja por meio de lay-off (suspensão temporária dos contrato de trabalho) ou do Plano de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz a jornada e os salários.

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