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Citado em delação, Temer diz que o vazamento é ‘ilegítimo’

Temer disse que a lentidão em procedimentos investigatórios perturba áreas de interesse do governo. Foto: Beto Barata/PR

Citado na delação premiada de um ex-executivo da Odebrecht, o presidente Michel Temer pediu celeridade na conclusão das apurações em curso e afirmou que a lentidão em procedimentos investigatórios perturba áreas de interesse do governo. Em requerimento enviado ontem (12) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o peemedebista classificou de “ilegítima” a divulgação de delações premiadas e pediu que elas sejam “o quanto antes finalizadas” e divulgadas “por completo”.

Segundo a reportagem apurou, o texto é uma tentativa do presidente de rebater publicamente a delação premiada e de tentar deslegitimá-la diante do vazamento de seu conteúdo antes da homologação. O envio do documento ocorre no momento em que a cúpula do Palácio do Planalto sofre desgaste de imagem por causa da divulgação de acordo de delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht.

No início do texto, Temer afirma que o vazamento de delações pode prejudicar o andamento de iniciativas do governo na área econômica. “A condução dessas e de outras políticas públicas a cargo da União vem sofrendo interferência pela ilegítima divulgação de supostas colaborações premiadas em investigações criminais conduzidas pelo Ministério Público Federal quando ainda não completado e homologado o procedimento de delação”, escreveu.

No documento, o peemedebista lembra que o procurador-geral, “em situação análoga” ao caso da delação do ex-executivo da empreiteira, suspendeu tratativas de colaboração premiada “em prol da higidez do procedimento legal”.

No final do texto, ao pedir rapidez na conclusão das investigações e na homologação das delações premiadas, o presidente afirma que a celeridade é indispensável para a superação da “situação fática vivenciada pelo país” e que tem trazido prejuízos ao governo e à população.

Em sua delação premiada, o ex-vice-presidente da Odebrecht afirma que Temer atuou de forma “indireta” na arrecadação financeira do PMDB, mas teve papel “relevante” quando pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht para a campanha eleitoral durante jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), presidente do PMDB e líder do governo no Congresso, divulgou uma nota em que diz repudiar o que classificou de “vazamentos criminosos” do acordo de delação de Melo Filho.

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