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Desigualdade cai com todas as classes sociais ficando mais pobres

A desigualdade de renda voltou a recuar no ano passado, mesmo com a economia brasileira mergulhada em uma das piores recessões da história, informou ontem (25) o IBGE. Poderia ser uma boa notícia, dado que o resultado confirma tendência verificada desde a última década, de redução da disparidade de renda. Porém, desta vez o feito ocorre por fatores negativos. A redução da desigualdade em 2015 ocorreu no contexto em que todas as classes sociais ficaram mais pobres.

O rendimento mensal médio, já descontada a inflação, recuou 5,4%, de R$ 1.845 para R$ 1.746. São considerados no cálculo os valores recebidos por trabalhadores e empregadores, mas também os rendimentos de aposentados e de pessoas que vivem de rendas financeiras e de aluguéis. É a primeira queda na renda em 11 anos.

A metade mais rica dos brasileiros sofreu queda maior dos rendimentos quando comparada com os da metade mais pobre. Na avaliação do IBGE, isso pode ser resultado da deterioração do mercado de trabalho, que abalou o emprego formal (com carteira assinada) e o industrial -a elite dos trabalhadores.

Com isso, o índice que mede a desigualdade entre ricos e pobres, o Índice de Gini, cedeu de 0,497 para 0,491 em 2015. A avaliação corrente dos especialistas em distribuição de renda é a de que a desigualdade no país cai sistematicamente desde 2001. O aumento da renda da base da pirâmide, em velocidade superior à do topo, foi o principal motivo.

Os dados de 2015 mostram que, desta vez, a base perdeu menos. “A queda da desigualdade é boa quando melhora a renda para todos. Aqui (em 2015), caiu para todos. Está igualando todo mundo no pior. Não melhorou a situação das pessoas”, afirma Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa do IBGE.

Quem perdeu mais

Quando se divide a população em décimos de renda, porém, percebe-se que os 10% mais pobres tiveram a maior perda, o que pode ser um indício de que a pobreza se intensificou. Nessa camada da população, o rendimento médio mensal em 2015 foi de R$ 202, segundo o IBGE, bem inferior ao salário mínimo nacional – que no ano passado era R$ 788.

Já os que ganham o salário mínimo se beneficiaram pelo reajuste de 8,8% do piso salarial em 2015. Foi nesta classe da distribuição onde a renda teve a menor queda em 2015: -1%.
Os 10% mais ricos por sua vez tiveram uma perda de 6,6% em seus rendimentos. O rendimento médio mensal nessa camada da população era de R$ 7.047 em 2015. A queda foi mais acentuada no 1% mais rico, cujo rendimento era de R$ 20.048, que perdeu 6,9%.

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