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Preço da gasolina baixa duas vezes nas refinarias, mas consumidor do ABC não vê redução nos postos

Aumento do etanol impediu que cortes promovidos pela Petrobras chegassem às bombas. Foto: Eberly LaurindoCinco semanas após o primeiro dos dois cortes feitos pela Petrobras no preço da gasolina nas refinarias, o consumidor do ABC ainda não percebeu a redução na hora de abastecer o tanque do veículo.

Atualmente, a gasolina custa, em média, R$ 3,458 o litro nos postos da região, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com dados compilados pelo Diário Regional. Na semana do anúncio da nova política de preços da estatal, ocorrido em 14 de outubro, o valor era praticamente o mesmo, R$ 3,46.

Juntamente com a divulgação das novas diretrizes, a Petrobras reduziu em 3,2% o preço da gasolina nas refinarias. A estatal promoveu novo corte no último dia 8, desta vez de 3,1%.
A petrolífera destacou que o impacto no preço final dependeria de decisões dos postos de combustível e das distribuidoras e projetou que, se tudo fosse repassado, o combustível ficaria R$ 0,10 mais barato na bomba. Porém, a redução não ocorreu devido ao aumento no valor do etanol, que é adicio­nado em 27% à gasolina.

A alta do etanol – tanto do anidro, que é misturado à gasolina, quanto do hidratado, usado diretamente no tanque – é normal nesta época do ano, como reflexo da proximidade do encerramento da safra de cana de açúcar.

“O anúncio da redução da gasolina nas refinarias coincidiu com a escalada dos preços do etanol. Por isso, um efeito (de queda) anulou o outro (de alta), o que certamente é frustrante para quem toma conhecimento da notícia na TV e não vê a redução se concretizar na prática. Porém, é importante lembrar que, sem os cortes, a gasolina teria ficado mais cara na bomba”, afirmou Joelson Sampaio, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).

Nas usinas

No mês que se seguiu ao anúncio da Petrobras, o etanol anidro ficou quase 4% mais caro nas usinas paulistas, segundo pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à Universidade de São Paulo (USP). Porém, na semana passada, houve queda de 2,2% no valor do renovável, a qual deve chegar aos postos nos próximos dias – a velocidade, porém, depende da reposição dos estoques.

O preço do etanol hidratado, por sua vez, registra quatro quedas semanais seguidas nas usinas, somando 1,7%. Segundo a Esalq, o re­cuo foi motivado pela redução na demanda do renovável pelas distribuidoras.

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