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Escândalo político assombra presidente da Coreia do Sul

Há rumores que Geun-hye tem oito assessores não oficiais. Foto: Arquivo

A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, enfrenta tempos de mares agitados. Vive um inusitado escândalo político que moveu o país com uma narrativa que inclui a proximidade com um guru religioso, uma conhecida investigada por tráfico de influência (e que perdeu um pé de seu sapato Prada no meio da multidão) e rumores da existência de um grupo informal de assessores (apelidadas de as “oito fadas”). Para piorar, a presidente ouviu a Coreia do Norte chamar sua administração de “a mais deformada, anormal e estúpida na sociedade contemporânea”.

A pivô do escândalo que ameaça o governo -que já enfrenta manifestações- é Choi Soon-sil, 60, detida ontem (1º) para prestar depoimento às autoridades pelo segundo dia seguido. Choi é investigada por tráfico de influência e corrupção devido a suspeitas de que usou sua conexão de décadas com a presidente para extorquir os principais conglomerados econômicos do país. O escândalo provocou frenesi na Coreia do Sul e levou Park a exonerar assessores de confiança e a enfrentar pressões por seu impeachment, na opinião pública e nas ruas.

Segundo o jornal “The Korea Times” publicou ontem (1º), a aprovação de Park despencou desde a semana passada, passando de já baixos 17,5% para 10,4%. Na semana passada, em meio a especulações, a presidente Park reconheceu que Choi havia editado alguns de seus primeiros discursos e oferecido ajuda nas relações públicas do governo. Mas investiga-se se essa relação não ia além, com uma participação maior nos assuntos do governo, embora Choi não fosse funcionária.

O jornal “The Korea Herald” menciona a existência das “oito fadas”, um suposto grupo de conselheiros não oficiais que teriam amplo acesso à presidente Park. Nesta segunda-feira (31), enquanto tentava entrar no prédio da Promotoria em Seul para prestar depoimento, a pivô do escândalo foi hostilizada por uma multidão.

“Por favor, me perdoem”, disse Choi aos prantos. “Eu cometi um pecado que merece a morte”, disse, usando uma expressão comum de profundo arrependimento. Em meio ao caos, perdeu um pé do sapato Prada que usava. Manifestantes exibiram o calçado perdido e ironizaram Choi, referindo-se a ela como “Soonderela” -em referência ao conto infantil.

Amigas

Os meios de comunicação locais descrevem Choi como uma “Rasputina”, em alusão a Rasputin, o místico que exerceu grande influência sobre um czar russo no início do século 20. Choi relia e corrigia os discursos da presidente e até mesmo a aconselhava em nomeações.

A pivô é filha de uma misteriosa figura religiosa, Choi-Tae-Min, chefe autoproclamado da Igreja da Vida Eterna, que atuou como uma espécie de mentor de Park depois do assassinato de sua mãe, em 1974. Há relatos que ele teria convencido Park sobre seu poder de se comunicar com a mãe assassinada -o que ele negou em uma entrevista concedida em 1990.

A natureza do relacionamento de Park com a família Choi é, há um tempo, alvo de especulação na Coreia do Sul. “Há rumores frequentes que o pastor, já morto, tinha controle completo sobre o corpo e a alma de Park em seus anos de formação”, descreveu um telegrama diplomático dos EUA de 2007, vazado pelo WikiLeaks.

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