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Taxa de desemprego cai pelo 4º mês seguido, mas região fecha 3,2 mil vagas em setembro

O fim da crise ainda é um horizonte distante para o ABC, a julgar pelos dados divulgados ontem (26) sobre o mercado de trabalho da região, os quais sinalizam a continuidade do processo de deterioração do emprego e da renda.

A taxa de desemprego da região registrou a quarta queda mensal consecutiva, para 16%, contra 16,4% em agosto. Porém, o recuo de 0,4 ponto porcentual ob­servado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) só foi possível porque 13 mil pessoas pararam de procurar ocupação e, com isso, tornaram-se economicamente não ativas.

Paralelamente, o contin­gente de trabalhadores empregados encolheu 0,4%, com o fechamento de 5 mil vagas. Indústria e serviços tiveram retração no nível de ocupação, enquanto o agregado comércio e reparação de veículos contratou.

“O desânimo provocado pela crise está retirando as pessoas do mercado de trabalho, porque não conseguem colocação”, disse César An­da­ku, do Depar­ta­mento Intersindical de Es­tatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que realiza a PED em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Dieese) e o Consórcio Intermunicipal.

Caged

No âmbito do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as empresas do ABC fecharam 3.151 vagas com carteira assinada em setembro – 22º resultado negativo seguido.

No acumulado do ano até o mês passado foram extintas 23.574 vagas, o que corresponde a 87 por dia. Em igual período de 2015, o saldo foi negativo em 26.651.

Com isso, o ABC caminha para registrar o terceiro ano consecutivo de redução da ocupação formal no âmbito do Caged. Em 2015, segundo o registro administrativo do Ministério do Trabalho, foram fechadas 42.771 vagas, nú­mero que se seguiu as 11.230 extintas em 2014.

Atividade que sente de forma mais dramática a crise econômica, a indústria re­gistrou o pior resultado do mês passado no ABC, com a eliminação de 2.465 empregos. Trata-se do 20º saldo negativo consecutivo. O cenário é desolador: de janeiro a setembro, o parque fabril dos sete municípios perdeu 12.236 postos com carteira.

Comércio e serviços registraram os melhores resultados, com a criação de 117 vagas e o fechamento de sete, respectivamente (veja quadro acima). Setembro é um mês em que, tradicionalmente, os dois setores abrem a temporada de contratações temporárias para o fim do ano. Porém, o movimento não deve se repetir em 2016, diante da fraca demanda e das projeções novamente pessimistas para as vendas do Natal.

A melhora da confiança de consumidores e empresários após o impeachment de Dilma Rousseff e a mudança na política econômica levou analistas a projetar o fim da recessão para este ano, mas dados mais fracos do que o esperado da produção industrial e das vendas no comércio e nos serviços em agosto sugerem atraso na saída da crise.

“O indicador de confiança é um falso positivo, porque não reflete a economia real, que depende da evolução da demanda. Era precipitado prever melhora em um cenário de deterioração do mercado de trabalho e da renda”, disse Andaku. “Talvez haja evolução em alguns indicadores no quarto trimestre, mas em função do efeito estatístico, de base de comparação muito fraca”, prosseguiu o economista, ao projetar melhora da atividade apenas em 2017, com resposta do mercado de trabalho ainda mais lenta.

A queda na renda também ganhou força no ABC. Entre julho e agosto houve redução de 3,2% no rendimento médio real dos ocupados e de 2,9% dos assalariados.2710-GRÁFICO-CAGED-SETEMBRO

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