Arte & Lazer, Cinema

Animais Noturnos’ instiga com cenas ousadas e boas atuações

Foto: Divulgação

Depois de dirigir em 2009 o bom drama “Direito de Amar”, Tom Ford lança agora o inquietante “Animais Noturnos”. Um filme controverso que mostra que a contribuição de Ford ao cinema é muito mais do que as roupas bem cortadas que Daniel Craig veste como James Bond.

Nome respeitado da moda, ligado a fases de êxito da Gucci e da Yves Saint Laurent, Ford era ator antes de ser estilista. Porém, para a maioria, é estranho vê-lo arriscar atrás da câmera. E estranheza é o que não falta no novo longa.

Se em “Direito de Amar” consegue uma atuação exuberante de Colin Firth, agora ajuda Amy Adams a exibir o talento que pode justificar a expectativa dos que a consideram a “futura Meryl Streep”.

Amy interpreta Susan, uma negociadora de arte que fica perturbada ao ler um livro escrito pelo ex-marido. O romance, uma violentíssima história de uma família atacada por marginais, é dedicado a ela e a faz desenterrar questões do seu antigo relacionamento.

A narrativa passa a correr em três planos: vida “real”, lembranças do casamento e a trama “falsa” do livro. O elenco se mistura pelas três vias, com atores se desdobrando em mais de um personagem.

A espiral de violência que conduz o livro contamina todos os planos. A conclusão não deve contentar toda a plateia. Tramas que exibem “um filme dentro do filme” não são fáceis de resolver.

Com ousadia, Ford aplica um rigor visual impactante, compondo cenas que beiram os maneirismos de cinema “moderninho”, mas evitam a cilada da beleza vazia. Há uma preocupação com imagens magnéticas, arrebatadoras.

Instigante, “Animais Noturnos” não é para qualquer público. Dirige-se a quem troca facilmente produções comportadas por desenfreadas experiências cinematográficas.

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