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Queda nos preços de alimentos faz inflação oficial diminuir em setembro

Os alimentos deram alívio ao bolso do brasileiro em setembro, contribuindo para a estabilidade do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país.

A taxa registrou ligeira alta em setembro, de 0,08% frente ao mês anterior, informou ontem (7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fazia tempo que o país não registrava estabilidade de preços parecida. O índice mais baixo até então havia sido verificado em julho de 2014, quando o IPCA foi de 0,01%. Analistas consultados pela agência Bloomberg esperavam 0,18% em setembro.

Apesar da melhora, os números mostram que o país ainda convive com inflação acima do centro da meta do governo, que é de 4,5% com tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Nos 12 meses encerrados em setembro, a alta do IPCA é de 8,48%.

Mesmo com a economia em recessão, a inflação se manteve alta neste ano por causa do aumento das tarifas de energia elétrica em 2015 e dos preços dos alimentos.

Em setembro, porém, os alimentos em geral registraram deflação (queda de preços) de 0,29%. Como têm o maior peso do IPCA, compensaram altas de outros produtos.

Os preços dos alimentos caíram com a melhora da situação climática – no primeiro semestre ocorreram perdas em várias safras devido ao excesso de chuvas no Centro-Sul e secas no Norte.

A desvalorização do dólar em relação ao real também ajudou, já que a ração animal ficou mais barata.

Produtos como batata-in­glesa (-19,24%) e leite longa vida (-7,89%) tiveram quedas expressivas em setembro, assim como alho (-7,45%), cenoura (-5,34%), feijão carioca (-4,61%) e hortaliças (-4,42%).

O clima foi tão severo no início do ano que a inflação dos alimentos acumula alta de 13,3% em 12 meses. “Amenizados esses efeitos, os alimentos recuaram”, disse Eulina Nunes, técnica do IBGE.

“Ao que parece, os fatores que mantinham a inflação elevada a despeito do mau momento da economia estão menos presentes”, afirmou Thiago Biscuola, da RC Consultores.

Baixa demanda

O respiro abriu espaço para que se fique mais evidente o efeito na inflação da baixa demanda na economia.

Em 12 meses, os preços dos bens duráveis acumulam alta de 2,1%, muito abaixo da média geral, de 8,48%. No mesmo período, os preços dos serviços subiram 7,04%.

Em setembro, a baixa demanda ficou clara, por exemplo, nos preço de equipamentos de TV, som e informática (-1,15%), móveis (-0,65%) e automóveis usados (-1,5%).

Esses produtos são sensíveis ao nível de consumo, baixo devido ao desemprego e aos juros elevados.

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