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Vereadores transferem votos e elegem seus filhos

Márcio da Farmácia, que concorre a vice-prefeito, e Milton Capel elegeram os filhos Márcio Jr. e Rodrigo Capel. Fotos: Eberly Laurindo

Os vereadores de Diadema Márcio Paschoal Giudício, o Márcio da Farmácia (PV), e Milton Capel (PV) não concorreram à reeleição no pleito de 3 de outubro. Porém, os dois vereadores vão manter seus respectivos sobrenomes na vida política da cidade, uma vez que conseguiram eleger seus filhos para o Legislativo.

Márcio é candidato a vice na chapa do prefeito Lauro Michels (PV) e disputará no próximo dia 30 o segundo turno do pleito. Capel desistiu de sua candidatura devido à possibilidade de ter o registro indeferido, uma vez que as contas da Câmara de 2008, quando era vice-presidente, foram rejeitas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Márcio Paschoal Giudício Junior, ou apenas Márcio Jr., é um estudante de Direito de apenas 19 anos. O postulante, que obteve 3.795 votos e foi um dos seis parlamentares do PV a conquistar uma cadeira na Câmara, credita seu sucesso ao desejo do eleitor de ver a renovação na política. “Acho que as pessoas viram que sou uma pessoa jovem, sem vícios políticos, mas com vontade e preparo para fazer a diferença”, declarou.

Entre seus projetos, Márcio Jr. diz que quer focar em ações que já constam do plano de governo do prefeito Lauro Michels, com ênfase em políticas para juventude e na área da Saúde. “No plano do Michels já consta um cursinho pré-universitário gratuito e quero trabalhar para que isso aconteça. Passei há pouco tempo por esse momento, de sair do ensino médio e entrar na faculdade. Por isso acho que posso contribuir”, explicou. “Também vou sugerir a realização de mutirões para reduzir as filas do SUS (Sistema Único de Saúde).”

O pai, Márcio da Farmácia, que está em seu segundo mandato, afirma que a estratégia foi transferir votos ao filho, mas sem enganar a população. “Não usamos o nome Márcio da Farmácia Junior, usamos apenas Márcio Jr. A eleição foi mérito dele. Visitou 1.072 casas, falou em meu nome, mas também falou em nome dele, falou das conquistas do Lauro. Então, é mérito todo dele”, elogiou.

Com nove mandatos consecutivos, Milton Capel ainda pretendia tentar novamente a reeleição, mas teve receio de uma impugnação. Inicialmente, o parlamentar alegou que a decisão foi tomada aos poucos, mas seu filho, Rodrigo Capel (PV), confirmou que a decisão foi tomada às pressas. “Pegou a gente de surpresa. De repente a gente se viu tendo 24 horas para decidir e isso foi feito em uma reunião de família”, esclareceu o vereador eleito com 3.056 votos.

Diferentemente do pai, que teve trabalho marcadamente forte na questão de regularização fundiária, Rodrigo Capel – que é advogado e tem 35 anos – pretende focar nos direitos sociais. “Direito à Saúde, à educação, essas coisa a gente já faz no escritório. Auxiliamos muitas pessoas na busca por uma vaga em creche, um atendimento na Saúde, conseguir um medicamento de alto custo”, citou.

Milton Capel afirma que pretende auxiliar com sua experiência na trajetória do filho. “Minha contribuição foi muito valiosa para Diadema. Tive apenas 28 dias para fazer campanha e transferir parte dos meus votos para ele e conseguimos. Confio muito que vai fazer um grande trabalho em prol da cidade, já que tem muitos planos políticos”, declarou.

“Filhotismo”

A cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Maria do Socorro Souza Braga, explica que esse fenômeno de transferência de votos entre pais e filhos tem um nome: filhotismo. “É muito comum em cidades pequenas do Nordeste, mas acontece em quase todo o país”, destacou.

No ABC

O vereador de Santo André Luiz Zacarias (PTB) também teve o filho, Lucas Zacarias de Araújo (PTB), eleito no domingo, assim como o vereador de Mauá Wagner Rubinelli (PT), que transferiu seus votos pa­ra o filho Fernando Rubinelli (PDT). Os vereadores e seus filhos não foram localizados pela reportagem para comentar o assunto.

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