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Greve dos bancários acaba com aumento abaixo da inflação e acordo para dois anos

Proposta foi aprovada por cerca de 90% dos bancários presentes à assembleia. Foto: Eberly Laurindo

Após 31 dias de greve, a maior da categoria desde 2004, bancários de vários Estados decidiram, em assembleias realizadas ontem (6), encerrar a paralisação e aceitar a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) feita na noite de quarta-feira. O retorno ao trabalho ocorre hoje.

O acordo terá validade de dois anos. Em 2016, a categoria vai receber reajuste de 8% e abono de R$ 3.500. O vale-refeição e o auxílio creche-babá serão reajustados em 10%, enquanto o vale-alimentação terá correção de 15% e a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), de 8%. Os bancários também conseguiram o abono total dos dias parados.

Em 2017 haverá a correção integral da inflação acumulada, com aumento real de 1% nos salários e demais verbas.

A campanha salarial dos bancários teve início em agosto e a greve começou no dia 6 de setembro. A categoria pedia reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos 12 meses anteriores à data-base (9,62%), mais aumento real de 5%.

É a primeira vez desde 2004 que a categoria não conquista aumento real de salário na mesa de negociação.

Recomendados pelo Comando Nacional dos Bancários, comitê que negocia em nome de mais de 100 sindicatos, a aceitação da proposta e o fim da greve foram levados para deliberação em assembleias realizadas em todo o país. O aval, porém, não foi unânime. Bancários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a paralisação nos Estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo.

Nos sete municípios, a proposta foi aprovada por 90% dos cerca de 250 trabalhadores que comparece­ram, ontem à noite, à assembleia realizada na sede do Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André.

“Não é a melhor proposta do mundo. Porém, diante da atual conjuntura econômica, a proposta contempla a categoria nesse momento de ataque aos trabalhadores”, afirmou o presidente do sindicato, Belmiro Moreira.

O dirigente ressaltou que, apesar de o reajuste deste ano ter ficado 1,6 ponto porcentual abaixo da inflação, os aumentos nos salários previstos para 2016 e 2017 vão resultar em perdas de apenas 0,5%.

Requalificação

A proposta inclui ainda o aumento da licença paternidade para 20 dias e a criação de mecanismos de realocação e requalificação.

“A ideia é construir, em uma mesa bipartite, cláusulas garantindo que, em todos os bancos onde houver reestruturação, os trabalhadores sejam realocados e passem por um processo de requalificação”, explicou Moreira.

Segundo o sindicalista, os bancos fecharam 9 mil postos de trabalho de janeiro a agosto, dos quais 200 no ABC.

No auge da greve, mais de 13 mil agências foram fechadas no país, ou 57% dos locais de atendimento, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

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