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Moro decreta prisão preventiva de Palocci

Antonio Palocci ficará preso por tempo indeterminado, até decisão em contrário. Foto: Fabio Ricardo Pozzebom/Agência Brasil

O juiz federal Sergio Moro decretou, nesta sexta-feira (30), a prisão preventiva do ex-ministro Antonio Palocci, investigado na Operação Lava Jato sob suspeita de pedir e coordenar pagamentos de propina ao PT.Palocci, que comandou a Fazenda sob Lula e a Casa Civil sob Dilma Rousseff, foi preso temporariamente na última segunda (26). Segundo a Polícia Federal, o ex-ministro atuava como um interlocutor petista junto à empreiteira Odebrecht, agindo em favor dos interesses da empresa em troca de vantagens ilícitas.

Palocci seria identificado pelo apelido de “Italiano”, de acordo com e-mails coletados na investigação. Sua prisão vencia ontem (30). O ex-ministro negou a alcunha e disse jamais ter intermediado nem solicitado o pagamento de propinas.

Moro, porém, entendeu que há provas de que Palocci fazia interlocução com a empreiteira e de “que teria havido acertos de propinas de 2008 a 2013 de cerca de R$ 200 milhões”.

“Nem o afastamento de Antonio Palocci de cargos ou mandatos públicos preveniu a continuidade delitiva e, por outro lado, os crimes foram praticados no mundo das sombras, através de transações sub-reptícias, tornando inviável a adoção de medidas cautelares alternativas que possam prevenir a continuidade da prática delitiva”, justificou o juiz, sobre a prisão.

Segundo Moro, a prisão preventiva se faz necessária. “Excepcional não é a prisão cautelar, mas o grau de deterioração da coisa pública revelada”, escreve. “No caso presente, a dimensão e o caráter serial dos crimes, estendendo-se por vários anos, é característico do risco à ordem pública.” Moro citou o risco de ocultação de provas, com o sumiço de computadores do escritório do ex-ministro.

Palocci ficará preso por tempo indeterminado, até decisão em contrário. Moro também decretou a prisão preventiva de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci e interlocutor de Marcelo Odebrecht em e-mails direcionados ao ex-ministro.

Já Juscelino Dourado, chefe de gabinete de Palocci na Fazenda e que também havia sido preso temporariamente, foi liberado por “não manter mais vínculo” com o antigo chefe, segundo Moro. Dourado não poderá deixar o país.

Moro cita e-mails de executivos da Odebrecht, documentos da ex-secretária da empresa Maria Lúcia Tavares (atual delatora da Lava Jato), uma planilha intitulada “Posição Programa Especial Italiano” e anotações do celular de Marcelo Odebrecht como provas indiciárias do envolvimento de Palocci.

Todas fazem referências ao apelido “Italiano” e a reuniões que o ex-ministro teria tido com integrantes do governo federal e executivos da Odebrecht, a fim de beneficiar a empresa.

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