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Lava Jato prende Mantega e depois o solta

Mantega foi apontado por Eike Batista como responsável por pedir doação para o PT. Foto: Marcos Bezerra/FuturaPress/Folhapress

Uma nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada ontem (22), prendeu -e, após cinco horas, soltou- o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, acusado de negociar repasses de recursos ilegais para o PT.Mantega foi detido pela manhã, enquanto estava no hospital Albert Einstein, acompanhando sua mulher em uma cirurgia.No fim da manhã, o juiz Sergio Moro resolveu revogar a prisão temporária dada a situação de saúde da mulher, mas “sem embargo da gravidade dos fatos apurados”.

Segundo despacho de Mo­ro, após a libertação, Mantega provavelmente iria continuar acompanhando a mulher no hospital, e assim estariam esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento.”Infelizmente, coincidências como essa são tristes. Mas não há como não se cumprir uma ordem judicial”, afirmou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima sobre a prisão na porta do hospital em São Paulo.

O ex-ministro foi apontado pelo empresário Eike Batista como responsável por pedir uma doação de R$ 5 milhões para o PT, a fim de pagar “dívidas de campanha”.Para o Ministério Público, o pagamento, efetuado no exterior a uma empresa do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, caracteriza vantagem indevida.

Moro, na decisão que decretou a prisão de Mantega, afirmou que “não cabe (ao ministro da Fazenda) solicitar doações eleitorais ao partido do governo, ainda mais doações subreptícias”.

A reunião entre Eike e Mantega ocorreu fora do período eleitoral, em novembro de 2012, no gabinete do ministro -que, na época, também era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Há registro da reunião na agenda oficial de Mantega.”Houve um pedido para que eu contribuísse para a campanha, para despesas, porque a campanha já tinha passado”, afirmou Eike ao Ministério Público Federal, em maio.

O empresário procurou a força-tarefa depois do vazamento, na imprensa, de suspeitas contra ele no esquema de corrupção na petrolão.Segundo ele, o pagamento foi uma “doação” não declarada ao PT. “O ministro de Estado me pediu, que que você faz? Eu tenho R$ 40 bilhões investidos no país, como é que você faz?”, disse ao MPF.As transferências, de US$ 2,35 milhões, foram justificadas com um contrato fraudulento de Eike com uma empresa do casal Santana, também investigado na Lava Jato e responsável pela campanha da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010.

Escolha

A Procuradoria sustenta que o processo de escolha das empresas foi “heterodoxo”, já que nenhuma tinha experiência na área, e que o contrato de US$ 922 milhões foi assinado com “possível favorecimento ilegal”.Moro destaca que há “uma incômoda proximidade” entre as datas da reunião com Mantega, da assinatura do contrato e do primeiro pagamento ao consórcio -todas em novembro de 2012. Além de Mantega, foram alvos da operação outras sete pessoas, entre executivos da Mendes Júnior, da OSX e operadores do esquema.Moro ainda determinou o bloqueio de R$ 10 milhões de cada investigado, inclusive do Mantega.

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