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Apenas 11% dos alunos se dizem satisfeitos com aulas

Só um em cada dez jovens está satisfeito com as aulas e os materiais pedagógicos. Foto: Arquivo

A maioria dos jovens reconhece a importância da educação e gosta da escola onde estuda, mas não está feliz com as aulas que tem. É o que mostra uma pesquisa com 132 mil estudantes de 13 a 21 anos de todas regiões do Brasil. O objetivo do projeto “Nossa Escola em (re)construção”, desenvolvido pelo Porvir/Instituto Inspirare, foi entender como os estudantes veem a escola. Porém, principalmente, como seria, para eles, uma escola ideal.

A maioria dos participantes do estudo (86%) vem de escolas públicas, sobretudo de São Paulo. Há também a opinião de quem está em unidades privadas. Só um em cada 10 jovens está satisfeito com as aulas e os materiais pedagógicos. Entre as atividades oferecidas pelas escolas, as artísticas são as preferidas. Entretanto, 69% indicam que não há atividades e oficinas culturais na escola. Em uma escala de 1 a 5, 69% dos jovens avaliam a escola com notas abaixo de 3.

Para Anna Penido, do Instituto Inspirare, os resultados mostram descontentamento com o modelo de escola no país. “Os jovens são bastante críticos exatamente com relação ao que é mais essencial do modelo atual de escola, como as aulas e materiais pedagógicos”, afirma. “Não são jovens rebeldes. Confiam no professor como uma referência, mas não querem a escola que está aí”, diz.

Escola dos sonhos

Um quarto dos jovens afirma que, em uma escola dos sonhos, o ideal seria ter disciplinas obrigatórias e poder escolher outras. Essa flexibilização faz parte do novo projeto de ensino médio que deve ser anunciado hoje (22) pelo governo federal.

Mesmo quando estimulados a pensar em como seria uma escola “inovadora”, por exemplo, a opção de “não ter divisão de série e cada aluno poder aprender no seu ritmo” aparece com apenas 10% das preferências.

A pesquisa trazia perguntas iguais para quatro modelos de escolas: inovadora; onde se aprende mais; que respeita a individualidade; e que deixa os alunos mais felizes. Quando questionados sobre qual deve ser o foco de uma escola dos sonhos, a resposta era bem parecida nesses quatro modelos. Preparação para o Enem e vestibulares e para o mercado de trabalho sempre aparecem com os maiores porcentuais.

O professor e pesquisador em educação Pedro Demo, da UnB (Universidade de Brasília), ressalta o diagnóstico que baseou a realização da pesquisa: apesar de serem o objetivo da educação, os alunos quase nunca são ouvidos. “Uma razão é que a escola não é feita para o aluno aprender, mas para o professor dar aula. O que temos é repasse de conteúdo, o estudante escuta e tira nota”, pontua. “Ele não é protagonista.”

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