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Juro médio no cartão de crédito passa de 450% ao ano, maior patamar desde 1995

A taxa média de juros cobrada no cartão de crédito atingiu, em agosto, o patamar de 451,44% ao ano, o maior desde outubro de 1995, segundo levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgado ontem (12).

Ao mês, a taxa apurada em agosto foi de 15,29%, ante 15,22% em julho (ou 447,44% ao ano).

Os juros médios no cheque especial também subiram no mês passado, passando para 12,16% ao mês, ou 296,33% ao ano. É o maior nível desde março de 1999, segundo a Anefac.

Os juros médios para pessoas físicas subiram de 8,09% ao mês em julho (154,35% ao ano) para 8,13% ao mês em agosto (155,48% ao ano).

Das seis modalidades de crédito pesquisadas pela Ane­fac, cinco registraram aumentos nas taxas em agosto. Apenas financiamento de veículos se manteve inalterada.

Para a entidade, a inflação persistente, os juros em patamares elevados e o aumento dos impostos achatam a renda das famílias e aumentam os índices de inadimplência.

Com maior risco de ca­lote, os bancos sobem as taxas para compensar eventuais perdas, explicou Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac.

A atual crise na qual o Brasil está mergulhado deve agravar ainda mais os níveis de inadimplência. Por isso, Oliveira entende que a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses.

“Porém, sempre existe a expectativa de que o Banco Central possa vir a reduzir a taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses e este fato pode igualmente contribuir para a redução das taxas de juros das operações de crédito”, disse.

No fim de agosto, pela nona reunião consecutiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve os juros básicos da economia em 14,25% ao ano – o maior patamar em dez anos.

O aumento dos juros básicos, ou sua manutenção em um patamar elevado, é o principal mecanismo usado pelo BC para frear a inflação. Com esse procedimento, o BC encarece o crédito e reduz o consumo. Porém, os juros altos prejudicam a atividade econômica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando o Banco Central julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, pode baixar os juros.

Pessoa jurídica

Os juros médios cobrados de empresas registraram alta em agosto, passando para 4,75% ao mês (ou 74,52% ao ano).

As três linhas de crédito analisadas pela Anefac tiveram aumento nas taxas. No capital de giro, os juros subiram para 2,74% ao mês em agosto.

A taxa de desconto de duplicatas, por sua vez, avançou para 3,23% ao mês. Por fim, a conta garantida passou para 8,29% ao mês em agosto.

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