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Paulo Serra vai priorizar metrô e estação Pirelli

“Estamos estruturando um choque de gestão baseado no enxugamento da máquina”. Foto: Eberly Laurindo

Ex-secretário de Mobilidade Urbana e um dos articuladores do programa que prevê conjunto de obras viárias por meio de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o candidato ao Paço de Santo André Paulinho Serra (PSDB) afirmou em entrevista ao Diário Regional que, na área de transportes, vai priorizar a reativação da estação ABC Pirelli da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e a articulação da linha 18-Bronze do metrô como modais de mobilidade. O tucano também destacou ações para retomada da geração de emprego e renda na cidade e afirmou que o PT “mente descaradamente” ao insinuar que adversários tenham projeto de privatização de serviço de saneamento municipal.

Nas propostas previstas no plano de governo, o que será priorizado em eventual gestão?

Detectamos claramente que o modelo de gestão dos últimos dez anos não funcionou. Santo André perdeu sua capacidade de investimento próprio e deixou de gerar atividade econômica. Foi a cidade da região metropolitana que mais empobreceu. A primeira mudança que temos que fazer é recuperar a capacidade de geração de emprego e renda e voltar a se desenvolver. Nesse sentido, temos o projeto Poupatempo do Empreendedor, que vai fazer com que, em 30 dias, qualquer investidor da cidade tenha o seu empreendimento aprovado ou encaminhado. Vamos eliminar a burocracia. Quem gerar emprego terá estímulo e será bem tratado pela administração. Esse é um fator decisivo para mudar a história da cidade. Com essa ação a gente consegue melhorar a arrecadação da cidade sem aumentar imposto, pelo contrário, diminuindo.

Isenção fiscal não representaria abrir mão de receita em um momento de fragilidade financeira da prefeitura?

Em um primeiro momento sim, mas economizando a gente vai compensar essa renúncia de receita. Tem muito desperdício hoje na prefeitura. Em um primeiro momento vamos economizar de R$ 4 milhões a R$ 6 milhões por mês, mas queremos chegar a uma economia de R$ 10 milhões mensais, o que representa R$ 120 milhões por ano. Isso nos permite dar isenção e redução tributária para a cidade voltar a plantar. A crise foi agravada porque o dinheiro público é gasto de forma completamente desqualificada. Estamos estruturando um choque de gestão baseado nesse enxugamento da máquina, com diminuição de secretarias e de cargos comissionados, além de redução do desperdício por meio da informatização. É cortar na carne mesmo para moralizar o gasto público na cidade.

Quais secretarias poderiam ser eliminadas ou incorporadas, por exemplo?

Serão incorporações. As políticas não vão deixar de existir. Por exemplo, as secretarias de Cultura e Esporte e Lazer separadas não acrescentou nada, tampouco Desenvolvimento Econômico separado de Trabalho e Renda. Só aumentou gastos. Já estamos, inclusive, trabalhando no projeto de lei sobre essa reforma administrativa. Vamos enviar para a Câmara em janeiro e, se necessário, vamos suspender o recesso. Quando adequarmos essa equação e melhorarmos nossa capacidade de investimento, com gasto público moralizado, a cidade voltará a respirar e aí a gente entra em outras áreas, como Saúde, Educação na Segurança.

Quais ações nessas áreas o senhor destaca?

Os desafios do próximo gestor, infelizmente, são os mais básicos, como resolver a questão da água. Temos que equacionar a dívida do Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), sem empurrar a responsabilidade. Também vamos colocar a manutenção da cidade em dia, pagando os fornecedores. A questão das creches também é um grande desafio, já que são 5 mil crianças na fila de espera. Temos que fazer seis creches que não saíram do papel por falta de contrapartida do município, mas também vamos ampliar os convênios com entidades.

É muito mais barato potencializar isso do que licitar, construir, contratar professores, comprar equipamentos e fazer todo o processo que envolve a construção de creches. Na Educação também vamos qualificar professores e fazer um grande programa de modernização das Emeiefs e dos Cesas, que queremos transformar em CEUs e escolas da família nos finais de semana. Outra questão é melhorar a qualidade do material escolar, uniforme e merenda.

Durante o debate, o senhor disse ver o Escola sem Partido com bons olhos. O projeto pode ser implementado em sua gestão?

O conceito é relativamente novo e interessante, mas temos muitos desafios anteriores a esse na rede pública de Educação. Não adianta discutir a picanha se a gente não tem o arroz e feijão. Não é prioridade. Prefiro investir na qualificação do professor, na reestruturação da rede, da recuperação da Fundação Santo André (FSA), que pode deixar de existir se nada for feito. A FSA não aguenta mais seis meses da forma que vem sendo administrada. Tivemos uma primeira conversa com o Instituto Paula Souza do governo estadual e vamos tentar conversar com a Universidade Federal do ABC. Os governos estadual e federal terão de jogar uma boia para a Fundação ou ela deixará de existir.

Quais os principais projetos na área de Saúde?

A Saúde conta com muito investimento hoje, mas sem gestão nenhuma. Os postos estão caindo aos pedaços, não há informatização ou sistema único de marcação de exames e consultas. Queremos zerar a fila de espera já no primeiro ano. Também criamos um programa de entrega de remédios em casa. É possível fazer isso com um custo muito baixo. Vamos fazer ainda um estoque único, distribuído igualmente, com acesso à lista de remédios pela internet. Queremos também humanizar as 56 unidades de saúde da cidade, trazendo o padrão de atendimento do Hospital Mário Covas para a rede municipal. Isso é mais importante do que construir prédios. É preciso ter acolhimento. As duas únicas obras na Saúde que temos como prioridade é terminar o Hospital da Vila Luzita até 2018 e transformar o PA Bangu. Estamos avaliando o melhor modelo para aquela região.

Em seu plano de governo, há proposta de construção de nova estação da CPTM em Santo André. Como isso será feito?

Será uma parceria com o governo do Estado. Temos duas grandes obras em mobilidade que serão priorizadas. O governador é do nosso partido, mas vamos cobrar para que tanto a linha 18 do metrô quanto a estação Pirelli saiam do papel. São dois eixos de transporte de alta capacidade fora do centro de Santo André, que já está completamente esgotado do ponto de vista de capacidade viária. Com isso a gente muda a lógica da mobilidade na cidade. Claro que ainda queremos construir os viadutos Adib Chamas e Castelo Branco, mas sozinhos não vão resolver o problema da mobilidade. O que vai impactar é a linha 18 e a estação Pirelli.

A mudança de governo pode facilitar as tratativas para construção do metrô no ABC?

Acredito que sim. Até porque o país vai começar a respirar novamente e vamos sair dessa crise que está ligada à indefinição política. O país voltando a crescer, ainda que em patamares mínimos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o governo estadual conseguirão chegar a um denominador comum e esse recurso será liberado. Já estive inclusive com o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), há uns 15 dias e ele nos garantiu que assim que a instabilidade política fosse resolvida os programas que já estavam aprovados seriam priorizados. Também nos garantiu um grande programa de saneamento para o ano que vem. Isso será bom porque vamos atuar muito fortemente na urbanização de núcleos habitacionais.

A concessão da gestão de saneamento pode ser uma saída para equacionar o problema da dívida e da falta de água na cidade?

Não é a única saída. Prefiro ser mais conservador nesse ponto. Nossa proposta é criar uma comissão de crise, com técnicos do Semasa e da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), logo no primeiro dia de governo. As duas partes vão negociar, retirando as ações jurídicas e acabando com essa disputa judicial. Quem perde com isso é o morador. Vamos pedir uma trégua e o fato de eu ser do PSDB ajuda. Queremos equalizar essa questão nos primeiros 30 dias. Além disso, o modelo atual de autarquia do Semasa não tem se mostrado eficiente. Ou a gente melhora ou altera.

Então, a concessão não está descartada?

Nenhum modelo está descartado. Só não acho que não é a melhor saída no curto ou médio prazo. Antes, precisamos colocar ordem na casa. O Semasa precisa estar em sua situação normal, equalizado e com as contas em dia para depois a gente avaliar qual a melhor saída. Tudo o que fizermos será em diálogo com os funcionários do Semasa. O PT mente descaradamente dizendo que vamos privatizar, mas tenho certeza que as pessoas ligadas ao Semasa sabem que nenhuma atitude será tomada sem ouvir as pessoas envolvidas.

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