Economia, Notícias

Metalúrgicos do ABC fecham acordo com três grupos patronais

Metalúrgicos do ABC fecham acordo com três grupos patronais
Categoria aprova proposta de reajuste de 5%, sendo 3,64% referentes ao INPC e 1,31% de aumento real. Foto: Adonis Guerra/SMABC

Em assembleia realizada ontem (17), os tra­balhadores da base do Sindicato dos Me­talúrgicos do ABC apro­varam proposta feita por três bancadas patronais, a qual prevê reajuste de 5%, sendo 3,64% de reposição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e 1,31% de aumento real, re­troativos a 1º de setembro. Os trabalhadores do Grupo G10, fundição e estamparia rejeitaram propostas apresentadas e sinalizaram greve a partir de segunda-feira (22) caso não haja nova oferta.

O acordo abrange os grupos 2 (máquinas e eletrônicos), 3 (autopeças, forjaria, parafusos) e 8 (trefilação, laminação de metais ferrosos, refrigeração, equipamentos ferroviários, rodoviá­rios, entre outros). O G10, que aguarda nova proposta patronal, é composto por lâmpadas, equi­pamentos odontológicos, iluminação, material bélico, entre outros setores.

O sindicato é representado na mesa de negociação pela Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (FEM-CUT), que negocia em nome de 194 mil operários de 14 entidades no Estado, dos quais 72 mil no ABC (número que inclui os metalúrgicos das montadoras, que estão fora da campanha, porque negociam acor­dos individualmente).

Segundo o presidente da fe­deração, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, as negociações deste ano foram dificultadas pela Reforma Tra­balhista, mas ain­da assim a ca­tegoria conquistou aumento real e manteve cláusulas sociais importantes, as quais as bancadas patronais queriam excluir ou alterar.

“Conseguimos manter cláu­sulas sociais importantes. Está mantida a proteção ao traba­lhador vítima de acidente de trabalho. Para os trabalhadores portadores de doença ocupacional que já gozam de estabilidade não mudará nada. Nos casos de doença ocupacional para contratos novos (a partir de 1º de setembro), a estabilidade será de 48 meses, sempre a contar da data de afastamento, a traba­lhadores com no mínimo 1,5 ano na fábrica”, afirmou.

Para os grupos 2 e 3, as cláusulas sociais negociadas têm va­lidade por dois anos. No Grupo 8 não houve consenso. Porém, segundo o sindicato, há espaço para negociação. Outra questão fechada com as bancadas patronais é a do contrato de tra­balho intermitente, que só será fechado após discussão com o sindicato.

Durante as negociações foram acertadas mudanças nas indenizações por morte, invalidez permanente e auxílio funeral, as quais serão substituídas por um seguro. Segundo Luizão, em caso de morte e invalidez perma­nente hoje é pago pelas empresas um salário nominal. Com o seguro, a indenização será de R$ 25 mil. Já o auxílio funeral passará para R$ 6 mil. “O seguro é de res­ponsabilidade da federação, que vai geri-lo, e não tem custo para o trabalhador”, pontuou.

 DIFICULDADES

Na avaliação do presidente do sindicato, Wagner Santana, as dificuldades na mesa de negociação refletem o ambiente criado pela Reforma Trabalhista. “Foi muita luta para apresentar essas propostas. Houve pressão para que conseguíssemos demover (as empresas) da retirada de direitos trabalhistas. Digo que a manutenção das cláusulas sociais, neste momento, é até mais importante do que o aumento real de salário. Agora, falta fechar o acordo com algumas bancadas. Esperamos até domingo para que apresentem propostas. Do contrário, a partir de segunda haverá greve”, pontuou.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*