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Em meio a escândalos, candidato tenta conciliar campanha e negócios

Na Flórida, Trump voltou a liderar por dois pontos. Foto: Arquivo

Ao interromper sua agenda eleitoral para promover seus negócios, Donald Trump pode estar de olho no futuro: cinco pontos atrás da democrata Hillary Clinton na média das pesquisas, e com pouca margem de manobra a 12 dias da eleição, o presidenciável republicano fez uma parada estratégica em Washington para inaugurar mais um hotel de luxo que leva seu nome, ontem (26).

Para analistas políticos, Trump se empenha em garantir a sobrevida de sua franquia, com 12 hotéis (um deles no Rio, aberto ainda em obras dois meses atrás) e 17 campos de golfe. Enquanto faz política, divulga sua marca, servindo cortes do Filé Trump a repórteres e montando palanques em seus clubes de golfe. Esteve num deles na terça (25), na Flórida, onde teve pequeno alívio: voltou a liderar, com dois pontos à frente de Hillary, segundo sondagem da Bloomberg.

Apesar de pensar no amanhã, é seu passado que o condena. Gravações antigas e pessoas com quem conviveu há décadas são desenterrados pela mídia e pela campanha da rival. Na terça, Hillary resgatou a história de uma enfermeira que tentou alugar um apartamento num condomínio erguido pelo pai do candidato, Fred Trump, no Queens, em 1963. Mae Brown parecia a inquilina dos sonhos: comprovou renda e sequer quis olhar a unidade. Por ela, negócio fechado, mas não para o dono do prédio.

Negra, Mae, hoje com 86 anos, diz ter sido discriminada “por causa da cor da minha pele”, em vídeo divulgado pela equipe democrata. No mesmo dia, a MSNBC entrevistou Stanley Leibowitz, 89, agente imobiliário a serviço do pai de Trump (morto em 1999). Para Leibowitz, não há dúvida de que Mae foi rejeitada por ser negra -e que o hoje candidato à Casa Branca, então com 17 anos, sabia disso.

“O sr. Trump e seu filho Donald vieram ao meu escritório. Perguntei o que deveria fazer com aquele pedido (de Mae), porque ela ligava constantemente, e a resposta (de Fred) foi: ‘Você sabe que não alugo para aquela palavra com ‘n’ (nigger, forma pejorativa em inglês para se referir a negros). Ponha numa gaveta e esqueça.”

A campanha republicana afirmou que “as alegações não têm nenhum mérito”. No primeiro debate presidencial, em setembro, Trump admitiu que a empresa da família foi processada por discriminação e disse que o caso foi encerrado com acordos. “Foi muito fácil.”

Sua candidatura já havia sangrado com a divulgação de vídeo de 2005, em que Trump se diz à vontade para “pegar (mulheres) pela xoxota”. Em seguida, 11 mulheres o acusaram de assédio. Promete processar todas.

Os detratores de Trump deixaram sua marca contra o candidato também ontem, em Los Angeles, onde a estrela com o nome do bilionário na Calçada da Fama foi vandalizada, aparentemente a golpes de martelo. A polícia investiga o caso. (Folhapress)

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