Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Revolta marca reintegração de posse

Fotografo VLADIMIR RIBEIRO
DE SANTO ANDRÉ PARA O DIÁRIO REGIONAL


Não haverá outra maneira. Teremos que mudar.” Depois dessa afirmação, o desempregado Ivan de Oliveira começou a preparar suas coisas para colocar na carroceria de um dos caminhões da Prefeitura de Santo André que foram destacados a fim de auxiliar na reintegração de posse de terreno na Vila Palmares. O local será doado ao governo do Estado para a construção de duas unidades da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (antiga Febem).

No início da manhã de ontem, as sete famílias que viviam no terreno tinham a esperança de que algo pudesse ser feito para reverter a situação. “Não temos para onde ir e nem levar a mudança. Não posso sair sem destino”, reclamou a dona de casa Joana Dark Vieria, que tem quatro filhos.

Por volta das 8h30, os oficias de Justiça chegaram para executar os mandados de reintegração de posse, expedidos pela primeira e segunda varas da Fazenda Pública de Santo André. Junto com o frio e a garoa, o sentimento de revolta pairava no ar. “Ninguém está se negando a sair, mas precisamos de mais tempo”, disse o pedreiro Antonio Augusto Donizete, que foi o primeiro a retirar os móveis.

O morador é o único inserido em cadastro social e com direito a lote no Núcleo Tamarutaca por ter participado de outra invasão e estar cadastrado. O restante seguiu para casas de parente ou amigos. As mudanças foram levadas para galpão da prefeitura.

Desde que o prefeito Aidan Ravin anunciou que o terreno seria doado ao Estado, as secretarias de Inclusão Social e de Desenvolvimento e Habitação iniciaram ação junto aos moradores. Todos foram inseridos no Programa Aluguel Social, que concede subsídio de R$ 380 mensais durante seis meses, prorrogável pelo mesmo período.

Entretanto, os moradores alegam que tiveram dificuldades para encontrar imóveis compatíveis com o valor repassado. “Quando dizíamos que o dinheiro viria da prefeitura, imobiliárias e locatários descartavam qualquer possibilidade de negociação”, alegou Joana Dark.

No final da tarde, um trator colocou no chão os barracos que abrigavam as famílias.