RAFAEL PECCIOLI MORENO
ESPECIAL PARA O DIÁRIO REGIONAL
Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e de associações ligadas ao setor metalmecânico da região vão se reunir, no dia 4 de agosto, com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, a fim de discutir a importação de autopeças. Na quarta-feira, o governo estendeu para maio de 2011 o fim do redutor da alíquota alfandegária para componentes de veículos importados que terminaria em 31 de dezembro.
Em 2009, o setor registrou balança comercial negativa de US$ 2,49 bilhões, com importações de US$ 9,12 bilhões e exportações de US$ 6,63 bilhões, segundo dados do Sindicato Nacional de Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A importação é facilitada pelo redutor de 40% nas alíquotas e data de 2000. Com a medida, os impostos, que deveriam girar entre 14% e 18%, ficam entre 8,4% e 10,8%.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, afirmou que o assunto preocupa, porque as montadoras preferem importar peças ao invés de comprá-las no Brasil, estimulando a produção local. “A indústria de autopeças brasileira produz itens de baixo valor agregado. Porém, daqui a 15 ou 20 anos, os carros serão de alta tecnologia. Ou a indústria nacional se capacita para produzir esse tipo de componente ou virá tudo de fora e o setor morrerá”, previu.
Para Nobre, a pressão das montadoras pela manutenção das alíquotas reduzidas de importação sob o argumento de que o uso de peças nacionais encareceria o produto final não procede. “Sairia mais caro para o país se a indústria nacional de autopeças desaparecesse”, argumentou. O presidente declarou que a indústria brasileira precisa traçar metas para gerar tecnologia própria. “Se nós vamos levar dois anos para nacionalizar as peças, pode liberar a importação. Porém, é preciso ter certeza de que, em dois anos, estaremos produzindo essa peça no Brasil”, disse, estimando que, se nada for feito, o setor no país deve sumir entre dez e 15 anos.