Fotografo
MARIA HELENA MEDINA
PARA O DIÁRIO REGIONAL
Entre 1965 e 1972, em plena ditadura militar, o Brasil viveu o auge da Era dos Festivais. Promovidos pelas TVs Record, Excelsior , Globo e Rio, eram organizados na forma de programas de auditório, instigando acirradas competições da música brasileira, capazes de mobilizar a população na mesma intensidade das disputas dos clássicos no futebol. Porém, a final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record entrou para a história do país, e é todo clima desse dia que os diretores Renato Terra e Ricardo Calil mostram no documentário Uma noite em 67, que estreia hoje nos cinemas.
No fim dos anos 60, novos compositores e intérpretes ganhavam espaço para mostrar o talento. Nomes como Elis Regina, Jair Rodrigues, Edu Lobo; Nara Leão, Chico Buarque, Caetano Veloso, Jorge Ben e Raul Seixas emocionaram multidões e sedimentaram suas carreiras, ao mesmo tempo que faziam a transição da bossa nova e do samba-canção para a criatividade da MPB.
Em especial, a noite de 21 de outubro de 1967, no Teatro Paramount, Centro de São Paulo, esquentou disputa com o saldo de um violão quebrado, guitarras estridentes, surgimento de uma nova MPB e algumas canções imortalizadas. A briga que tinha tudo para ser boa, foi. Entrou para a história dos festivais, da música popular e da cultura do país.
Diante de uma plateia fervorosa - disposta a aplaudir ou vaiar com igual intensidade - os concorrentes da noite desfilaram suas canções, que se tornariam clássicos anos mais tarde. Entre os 12 finalistas estavam Chico Buarque e MPB 4, com Roda Viva; Caetano Veloso, com Alegria, Alegria; Gilberto Gil e os Mutantes, com Domingo no Parque; Edu Lobo, com Ponteio; Roberto Carlos, com o samba Maria, Carnaval e Cinzas, e Sérgio Ricardo, com Beto Bom de Bola.
O documentário mostra os elementos que transformaram a final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record no auge da produção musical dos anos 60 no Brasil. Para tanto, o filme resgata imagens históricas e traz depoimentos inéditos dos principais personagens: Chico, Caetano, Roberto, Gil, Edu e Sérgio Ricardo. Além deles, algumas testemunhas privilegiadas, como o jornalista Sérgio Cabral (um dos jurados) e o produtor Solano Ribeiro, contam suas memórias de uma noite inesquecível.
Entrevistados como Chico Buarque, Roberto Carlos, Chico de Assis e Zuza Homem de Mello relembram episódios interessantes e engraçados.
O rei, por exemplo, fala aos risos que se soubesse que teria uma torcida organizada para vaiá-lo, não teria comparecido. Chico, se diverte ao afirmar que bebia muito e que por isso não se lembra de muita coisa.
Em tempo, o resultado do festival foi o seguinte: 1º Lugar: Ponteio (Edu Lobo e Capinam); 2º: Domingo no Parque (Gilberto Gil); 3º: Roda Viva (Chico Buarque); 4º: Alegria, Alegria (Caetano Veloso); 5º: Maria, Carnaval e Cinzas, interpretada por Roberto Carlos; 6º: Gabriela, interpretada por MPB-4; Melhor Intérprete: Elis Regina - O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta).