Fotografo
RAFAEL PECCIOLI MORENO
ESPECIAL PARA O DIÁRIO REGIONAL
Com a previsão de levar a programação a 250 municípios, a Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho – entidade mantida por sindicatos da região – fará em 13 de agosto a estreia da TV dos Trabalhadores (TVT). A geradora do sinal, montada em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, terá investimento inicial de R$ 1 milhão em equipamentos e infraestrutura, operando na região no canal 46 UHF.
Segundo o presidente da Fundação que detém a concessão, Valter Sanches, foram criadas parcerias com a rede de TV a cabo NGT e com a Associação dos Canais Comunitários do Estado de São Paulo (Acesp) para viabilizar a transmissão. Ao todo, espera-se que a programação seja retransmitida para mais de 250 “pontos de abrangência”, ou seja, cidades nos Estados de São Paulo, Rio, Minas Gerais e Ceará, entre outros.
Sanches explicou que a maior parte da programação será das TVs Brasil, Senado e Câmara, mas o “horário nobre” da emissora, das 19h às 20h30, será preenchida com conteúdo próprio. Para isso, a emissora contará com aproximadamente 70 profissionais. O custo mensal é estimado em R$ 400 mil. Com aporte financeiro inicial de R$ 15 milhões bancado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – obrigatório para a obtenção de concessão do tipo – e sem recursos externos, o montante será suficiente para manter o canal por três anos.
Apesar do montante inicial, o presidente da Fundação afirmou que são esperados recursos de empresas ainda este ano, após a primeira fase de transmissão da emissora. “Como temos fins educacionais, não se pode veicular propaganda, mas é possível receber capital para a manutenção da estrutura a título de apoio cultural de empresas e instituições”, esclareceu Sanches.
Na região metropolitana de São Paulo, os programas deverão ser transmitidos no canal aberto 48 UHF ou no 52 UHF. No último caso, só ocorrerá se o pedido de concessão para 26 retransmissoras da TVT venha a ser concluído até a inauguração, em meados de agosto. A expectativa, segundo Sanches, é a de criar rede independente.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, disse que a proposta da TVT – refletida no mote “A TV que te vê” – é oferecer à classe operária meio de informação direto. “A ideia vem de 1980, quando ocorriam greves em massa na região, mas emissoras de grande porte pegavam imagens de arquivo de operários trabalhando para fingir que estava tudo bem. O trabalhador precisa de um canal confiável, que é a nossa proposta”, declarou Nobre.