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Sexta-feira,
03 de julho de 2009
Michele Coutinho
Famílias deixam casas na Naval
No final da tarde de ontem, as 12 famílias do Núcleo Habitacional
Naval, em Diadema, cujas casas terão de ser derrubadas para ceder
espaço ao conjunto habitacional do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) Naval, já se preparavam para deixar o local.
Isso não significa, entretanto, o fim da luta. Uma comissão
formada pelos vereadores Célio Boi, Lauro Michels e Pastor Edmilson
foi formalizada ontem, em reunião na Câmara, e deve discutir
a situação dos moradores do Núcleo.
“Apesar da prefeitura não ter cumprido as promessas de que
iria cadastrar as famílias, elas se conscientizaram de que não
havia outra alternativa. Amanhã (hoje) pela manhã, as casas
já deverão estar vazias, mas vamos fazer uma mobilização
no local. Esperamos que essa comissão de vereadores proteja os
direitos dos moradores que estão saindo”, destacou o presidente
da Associação Filantrópica 25 de Julho (um dos representantes
das famílias afetadas), Carlos Antônio Rodrigues.
Entrevistado na quarta-feira pela reportagem do Diário Regional,
quando já tinha preparado todas as malas, Severino Antonio da Silva
Filho decidiu tomar a decisão definitiva de deixar o local. A revolta
de toda a família pôde ser sentida enquanto os móveis
e pertences eram retirados do sobrado, fruto de 20 anos de trabalho.
“Aluguei uma casa de três cômodos em São Bernardo.
Não queria sair daqui, mas também não queria encontrar
a mesma coisa que vi da outra vez. Enquanto isso, já estamos negociando
com a prefeitura”, afirmou Silva, referindo-se as horas de tensão
da manhã da última quarta-feira.
Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura de Diadema desmentiu
as declarações do líder comunitário, e informou
que assistentes sociais estiveram no Núcleo Habitacional Naval
durante toda a manhã de ontem.
Ponto final
Em reunião realizada na última quarta-feira, o secretário
de Habitação e Desenvolvimento Urbano Márcio Luiz
Vale deixou claro que não há mais possibilidade de prorrogar
a desocupação do espaço, que deveria ter sido feita
naquela data, mas foi adiada para a manhã de hoje, depois de um
acordo entre a Justiça e o comandante do 24º batalhão
de Polícia Militar, tenente-coronel Francisco Rissi Filho.
Na ocasião, o secretário destacou que “ há
um ano as famílias foram informadas da desapropriação”,
e que a administração municipal oferecia como uma das alternativas
o pagamento de uma bolsa-aluguel de R$ 260.
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