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Discursos contra Temer predominam em sessão da Câmara

Paulo Maluf foi um dos deputados que saíram em defesa de Temer: “Janot fez terrorismo” . Foto: Lula Marques/AGPTA Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deve votar hoje (18) a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer. Apesar de os governistas cantarem vitória, o discurso contra o peemedebista predominou no início do debate sobre o caso.

Vinte e oito deputados se pronunciaram até as 19h20 desta terça-feira (17) -17 contra o presidente e 11 a favor. Faltavam falar cerca de 25, todos contra Temer. O placar, porém, não ilustra de forma fidedigna como deve ser o resultado da votação na comissão, já que os governistas evitavam se pronunciar com o objetivo de encurtar a tramitação do caso.

A comissão deve votar hoje o relatório do governista Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), favorável ao arquivamento do caso. A CCJ é o primeiro passo da tramitação da denúncia em que Temer é acusado de integrar organização criminosa e obstruir as investigações.

A comissão tem 66 integrantes titulares. A expectativa do Palácio do Planalto é repetir o placar da votação da primeira denúncia (por corrupção passiva) – 41 a 24 a favor do governo. A palavra final cabe ao plenário. Essa votação deve ocorrer na semana que vem (na primeira denúncia, o placar foi de 263 votos a 227 para barrar o caso). Para que o Supremo Tribunal Federal seja autorizado a analisar a denúncia, é preciso o apoio de pelo menos 342 dos 513 deputados.

Oposição

Congressistas da oposição madrugaram na comissão, cuja lista de oradores é definida por ordem de chegada. Primeiro a assiná-la, Alessandro Molon (Rede-RJ) chegou pouco depois das 6h. A tônica dos discursos foi que Temer usa a máquina federal para comprar votos dos parlamentares com medidas tomadas pelo governo.

O PSDB foi acusado de tentar promover um “toma lá, dá cá”: salvar Temer em troca da manutenção, no Senado, do mandato de Aécio Neves (PSDB-MG). “Escolheu-se um deputado (Andrada) comprometido em salvar a pele de um presidente com pê minúsculo, todo envolvido em falcatruas”, disse Luiza Erundina (PSOL-SP).

Uma semana depois de ter sua condenação à prisão confirmada pela primeira turma do STF, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) foi um dos que saíram em defesa de Temer. Disse que a denúncia contra o peemedebista é recheada de acusações “falsas” e “vazias”, que representam um ato de “terrorismo” contra a economia nacional.

“O que Rodrigo Janot fez em termos de terrorismo com os investimentos nacionais e internacionais não tem retorno”, disse Maluf, em referência ao ex-procurador-geral da República, que assina a denúncia. Afirmou ainda que Temer foi eleito três vezes presidente da Câmara, “prova de que os companheiros reconheceram nele valores que o dignificam”.

O oposicionista Ivan Valente (PSOL-SP) cortou a fala de Maluf, argumentando que “Eduardo Cunha também foi eleito presidente da Câmara”. Hoje deputado cassado, Cunha está preso em decorrência da Operação Lava Jato. Maluf foi defendido aos gritos pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Ao retomar a palavra, Maluf usou um de seus bordões para dizer que não tem notícia de que Valente, engenheiro mecânico de formação, tenha feito alguma obra em São Paulo. “Ele não anda um quilômetro em São Paulo sem pisar em uma obra de Maluf.”

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