Como a tecnologia está envolvida com catástrofes como o furacão Irma? | Diário Regional

Como a tecnologia está envolvida com catástrofes como o furacão Irma?

12/09/2017 0:36
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Os últimos dias foram marcados pelo medo e a apreensão de quem vive nas áreas afetadas pelo furacão mais intenso formado nas águas do Oceano Atlântico em pelo menos uma década, o Irma. Após ter devastado diversas ilhas do Caribe, como Barbados, Barbuda, Porto Rico, Cuba e muitas outras, deixando pelo menos 42 mortos, a tempestade tropical direcionou-se para a costa oeste da Flórida, afetando cidades como Key West, Naples e Tampa.

Em situações de catástrofes naturais como essas, muitas pessoas se perguntam se existem tecnologias capazes de prever a tempo furacões, terremotos e outros fenômenos, de maneira que as pessoas em risco possam se proteger, evitar acidentes graves e a destruição de patrimônio pessoal e público.

Muita coisa pode ser feita com tecnologia para salvar as vidas de pessoas, mesmo sendo impossível impedir que um terremoto aconteça ou que um furacão se forme e percorra seu caminho de destruição. Seja como for, veja como é possível usar meios tecnológicos para tornar o mundo mais seguro no que diz respeito a algumas catástrofes naturais e remediar muito do estrago feito.

De onde vêm os furacões?

Assim como o furacão Irma, a enorme maioria dos ciclones tropicais formados no Oceano Atlântico possui a mesma origem: o Oeste África, na costa de países como Mauritânia, Senegal, Guiné, Guiné-Bissau, entre outros, sobre o arquipélago de Cabo Verde. A formação desse fenômeno acontece com a mistura de ventos secos vindos do deserto do Saara e do ar frio e úmido do oceano.

Isso forma ventos de grande altitude que são empurrados na direção Oeste e Noroeste, justamente a direção das ilhas do Caribe, da Flórida e do Golfo do México, as áreas que geralmente são mais afetadas pelos furacões. Enquanto a tempestade tropical cruza o Oceano Atlântico, ela assimila os vapores do mar e vai ganhando tamanho e força nesse percurso.

Quanto maior, pior

Para ser considerada um furacão, uma tempestade tropical deve ter vento máximo sustentado – ou seja, o vento contínuo em um intervalo de tempo – com uma velocidade de pelo menos 119 km/h. A partir daí, ela é categorizada como um furacão categoria 1 e pode chegar até a categoria 5, com ventos mais velozes que 252 km/h. O furacão Irma atingiu nível 5 no último dia 5 de setembro, chegando a ter ventos de 295 km/h e foi um dos ciclones tropicais que se manteve nesse tamanho por mais tempo em toda a história.

Sempre que um furacão chega a um local com terra, ele para de se alimentar dos vapores do oceano e perde força. Foi o que aconteceu com o Irma ao atingir a ilha de Cuba: a tempestade tropical foi reduzida para categoria 3, mas voltou para 4 ao cruzar o estreito entre o país caribenho e a península da Flórida, nos Estados Unidos.

Muito já foi tentado para impedir a formação de um furacão ou para neutralizar seus efeitos devastadores, pelo menos teoricamente, incluindo voar contra eles com aviões de guerra (para que o estrondo sônico das aeronaves dissipasse a tempestade), entre outras coisas bizarras que incluem o disparo de bombas atômicas e até lasers. Nada disso foi colocado em prática por motivos óbvios – nenhum daria certo e a emenda sairia pior que o soneto.

De olhos bem abertos

Para ficar de olho nas formações de ciclones tropicais, as agências de controle de clima utilizam uma rede de satélites – muitas vezes com apoio das agências espaciais do mundo todo – para visualizar as formações dessas tempestades e monitorar suas formas iniciais. Outros sensores meteorológicos são usados em parceria com esses satélites para criar uma previsão de trajeto o o mais cedo possível e ter tempo suficiente para evacuar áreas ou tomar as precauções devidas.

Os satélites que registram imagens também são usados em larga escala para identificar regiões com potencial de alagamento – outro grande mal causado pelos furacões –, vulcões prestes a entrar em erupção, incêndios florestais e até terremotos, visto que algumas mudanças sutis na superfície da Terra podem ser verificadas antes de um desses tremores.

Abalo nas fundações da Terra

Terremotos são manifestações naturais que podem causar grandes perdas – tanto de vidas quanto materiais – em muitas regiões da Terra. Causados pelos movimentos das placas tectônicas que revestem nosso planeta, os abalos sísmicos podem ser detectados por diversos tipos de sensores com até alguns dias de antecipação, o que permite um controle maior sobre suas consequências.

Com o uso de sismógrafos, é possível prever também tsunamis, visto que esses são o resultado de tremores submarinos que deslocam grandes quantidades de água. Esses dispositivos são capazes de sentir abalos mínimos, imperceptíveis para os humanos, que geralmente precedem terremotos em grande escala. O uso desses aparelhos permitiu que fossem criados mapas com os locais mais propensos a receber esses fenômenos.

O poder da tecnologia

Além de maneiras para prever ou evitar catástrofes naturais, a tecnologia traz meios de ajudar quem está em uma área de risco ou mesmo já foi afetado pelo fenômeno. Há menos de um mês, o furacão Harvey devastou regiões do estado do Texas, nos EUA, especialmente a cidade de Houston, e pode ser considerado o desastre mais caro da história dos Estados Unidos, com um custo estimado em US$ 190 bilhões, ou R$ 590 bilhões.

Isso é equivalente aos gastos somados causados por outros dois furacões catastróficos: o Katrina, que atingiu a região de Nova Orleans em 2005; e o Sandy, que fez muito estrago em Cuba, na Jamaica e chegou a atingir a região de Nova Jersey e Nova York em 2012. Segundo o site AccuWeather, esse valor representa 1% de todo o produto interno bruto dos Estados Unidos.

Sensibilizados com a situação de quem foi afetado pelo furacão Harvey, usuários do Facebook conseguiram arrecadar US$ 1 milhão em doações, cerca de R$ 3,1 milhões, em algumas poucas horas. A Google também conseguiu de seus clientes o mesmo valor, assim como a Amazon, tudo isso em menos de 24 horas. A Apple doou mais US$ 2 milhões, ou R$ 6,2 milhões, para a Cruz Vermelha aplicar nos trabalhos feitos na região.

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