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Laudo da PF não é verdade fechada e absoluta, diz defesa de Temer

“Se a PF concluiu isso, há outros laudos que concluíram outras coisas”, disse Mariz. Foto: ArquivoUm dos advogados do presidente Michel Temer, Antônio Claudio Mariz de Oliveira afirmou que o laudo da Polícia Federal sobre as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista não é uma “verdade fechada e absoluta”.

A PF concluiu que não houve edição no áudio que faz parte do inquérito que tem o peemedebista como alvo e que as interrupções existentes são naturais do aparelho utilizado pelo dono da JBS, não tendo havido manipulação.

“Não tive acesso ainda ao laudo. Ainda vou analisar. Mas de qualquer forma, o que posso dizer é que esse laudo [da PF] não é uma verdade fechada e absoluta. Se a PF concluiu isso, há outros laudos que concluíram outras coisas”, disse Mariz à Folha. “Vai ser uma discussão”, acrescentou.
A defesa de Temer já havia questionado as gravações na investigação, levantando a suspeita de elas terem sofrido cortes e edições propositais.

Os advogados do presidente contrataram o perito Ricardo Molina, de Campinas, que colocou em dúvida o uso do áudio como prova no processo.
Molina disse à época que o gravador usado é “vagabundo” e “não é possível” garantir que a gravação seja “autêntica”, portanto, argumentou Molina, o áudio não pode ser utilizado como prova judicial.

Uma primeira perícia contratada pela Folha de S.Paulo em maio, feito por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, concluiu que a gravação da conversa entre Joesley e Temer havia sofrido mais de 50 edições.

Perícia privada

Outra perícia privada realizada pelo Instituto Brasileiro de Peritos (IBP) a pedido da Folha, e publicada nesta sexta (23), indica, porém, que as frequentes interrupções na gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente Michel Temer devem ter sido causadas pelo próprio aparelho utilizado para captar o áudio.
Além da suposta edição, a defesa de Temer também questiona a legalidade do ato de Joesley. “São duas questões diferentes que questionamos no inquérito. Uma é se houve manipulação, uma questão formal. Outra coisa é sobre a gravação ter sido feita de forma irregular e ilícita”, afirmou Mariz.

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