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Sérgio Cabral é condenado a 14 anos de prisão sob acusação de corrupção

Preso desde novembro de 2016, Cabral é réu em outras nove ações no âmbito da operação. Foto: Fernando Frazão/ Agência BrasilO juiz Sergio Moro condenou o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) a 14 anos e dois meses de prisão sob acusação de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de pagamento de multa de cerca de R$ 600 mil. É a primeira condenação do ex-governador na Lava Jato, que ainda é réu em outras nove ações no âmbito da operação. Cabral negocia delação premiada.

Também foram condenados o ex-secretário de Governo Wilson Carlos e o operador Carlos Emanuel Miranda. As mulheres de Cabral, Adriana Ancelmo, e Wilson Carlos, Mônica Carvalho, foram absolvidas.

Preso desde novembro de 2016, o peemedebista é acusado neste processo de ter recebido R$ 2,7 milhões em dinheiro pelo contrato de terraplanagem do Comperj, obra da Petrobras. O pagamento foi solicitado pelo próprio governador, numa reunião no Palácio da Guanabara, em 2008, segundo a denúncia. O valor corresponde a 1% do total que a Andrade Gutierrez recebeu pela obra.

Wilson Carlos seria o interlocutor com os representantes da empreiteira e Miranda, o responsável por recolher o dinheiro vivo. Ex-executivos da Andrade viraram delatores e deram detalhes sobre o caso.
Segundo o Ministério Público, os valores foram usados na compra de artigos de alto valor, como roupas de grife, móveis de luxo, blindagem de automóveis e vestidos da ex-primeira-dama.

Crise financeira

Na decisão, Moro afirmou que o crime de Cabral é um dos fatores que causaram a crise financeira do Rio de Janeiro, em “situação quase falimentar, com sofrimento da população e dos servidores públicos”.
Para o juiz, o peemedebista, que governou o Rio de 2007 a 2014, era o líder do esquema, tinha “ganância desmedida” e traiu a confiança de quem votou nele. “Não pode haver ofensa mais grave.”
Essa é a primeira sentença da Operação Lava Jato contra um ex-governador por crimes cometidos à frente do Estado. Com as delações da Odebrecht, a tendência é de que mais investigações sobre autoridades regionais ocorram. Cabral ainda é réu em outras nove ações penais no Rio, sob responsabilidade do juiz Marcelo Bretas – esta era a única ação com Moro.

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