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Eventos em Diadema debatem encarceramento e violência

A historiadora Suzane Jardim (ao microfone) é uma das coordenadoras das ações. Foto: DivulgaçãoDiadema recebe este mês três eventos que vão debater o encarceramento em massa. As atividades fazem parte da campanha “30 dias por Rafael Braga”, que visa promover encontros, discussões e debates sobre as atuais políticas de drogas no Brasil, racismo e segurança pública, tendo o Caso Rafael Braga como emblema. Rafael Braga, morador de rua, negro e então com 23 anos, foi preso em 2013, durante as manifestações de junho, acusado de portar materiais inflamáveis: um litro de desinfetante “Pinho Sol” e um litro de água sanitária.

“É um caso que tem vários buracos. Em abril foi condenado a 11 anos de prisão por tráfico de drogas”, explicou a historiadora e educadora Suzane Jardim, uma das organizadoras das atividades. A condenação de Braga teve como prova principal o depoimento de policiais que alegaram ter encontrado drogas com o jovem. Rafael Braga sempre negou e disse que as drogas foram plantadas. “O importante é discutir e dizer que esse caso não é uma falha pontual, mas que o Judiciário tem problemas estruturais sérios e foi feito para ser assim”, completou Suzane. Diversos especialistas da área jurídica questionaram a condenação.

A série de eventos começa hoje (14), com a exibição do documentário “Rubble Kings”, no Espaço Pagu (rua São Francisco de Assis, 224, Centro de Diadema, às 19 horas). O filme mostra a realidade de gangues de negros e latinos nos Estados Unidos, na década de 1970, e como a marginalização desses grupos pelo governo desencadeou ondas de violência. Após a exibição, haverá bate-papo com os presentes sobre marginalização e violência. Haverá pocket show com cantor, compositor, produtor musical, militante e educador social Buia Kalunga.

Medidas

No sábado (17), especialistas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) debatem sobre as questões do encarceramento em massa. A atividade “Por que falar de encarceramento?” vai apresentar as 16 medidas contra a prática desenvolvidas pelo instituto. Dados do Ministério da Justiça, de 2014, mostram que dos mais de 600 mil presos no país, 55% têm entre 18 e 29 anos, 61% são negros e 53% têm o ensino fundamental incompleto. O evento acontece no Coletivo 217 (rua Graciosa, 217, Centro).

No dia 25, o Espaço Pagu exibirá o documentário “Corpo Delito”, que acompanhou a vida de um jovem nordestino, de 30 anos, que saiu do regime fechado para o aberto e passou a usar tornozeleira eletrônica. “Teremos duas advogadas criminalistas e uma ex-funcionária de uma penitenciária agrícola para debater os diferentes regimes prisionais e as dificuldades de reinserção dos presos na sociedade”, destacou Suzane. Todas as atividades são abertas e gratuitas.

“Queremos levar os eventos e os debates para muitas cidades, especialmente nas periferias. Por isso, quem quiser participar, ajudar na organização, pode entrar em contato com o grupo”, pontuou Suzane. As ações já foram realizadas em Guarulhos, Fortaleza (CE), São Paulo e em faculdades como Mackenzie, PUC e USP. Informações no site http://30diasrafaelbraga.com.br/ e na página do Facebook facebook.com/30DiasPorRafaelBraga.

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