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PSDB decide permanecer na base do governo de Michel Temer

Apesar do movimento de saída da base ter crescido na última semana, tucanos decidiram manter apoio. Foto: Pedro Ladeira/FolhapressO PSDB decidiu permanecer no governo de Michel Temer em reunião realizada nesta segunda-feira (12), em Brasília. “O PSDB não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo”, disse o senador José Serra (SP) ao fim do encontro. O tucano disse que novas posições podem ser tomadas caso haja um novo curso nos fatos, mas garantiu que não será feita a entrega de cargos no governo pelo partido.

Embora na semana passada o movimento de desembarque tenha crescido, especialmente com o apoio do presidente interino da sigla, Tasso Jereissati, setores da legenda fizeram pressão para barrar esse rompimento.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador Aécio Neves lideraram as articulações pela manutenção do apoio ao governo. Os principais líderes e dirigentes da sigla defenderam a manutenção do apoio do partido a Temer durante a reunião, em nome da aprovação da agenda de reformas proposta pelo peemedebista.

Durante o encontro, Alckmin afirmou que a legenda deveria permanecer no governo até a conclusão da pauta de reformas de Temer -trabalhista, previdenciária e política. Para o paulista, a manutenção do apoio do PSDB ao governo deveria estar associada à urgência dessa agenda.

Em um discurso que foi visto como um tom de “campanha” por alguns dos participantes, João Doria criticou a divisão do partido: “Nosso inimigo é o PT”, disse. “Não podemos ter medo de defender, esta posição de coragem sempre foi uma marca do PSDB”, disse o prefeito, segundo presentes. Doria criticou a divisão do partido entre “cabeças pretas” e “cabeças brancas”, em relação ao racha entre os mais jovens, maiores defensores do desembarque, e os mais velhos, que vêm pregando a continuidade da aliança com o PMDB de Michel Temer. “Somos um só que une a experiência e a juventude, os jovens a precisam dos experientes e vice versa.”

O presidente do partido, Tasso Jereissati, destacou que o país vive a “pior crise” de sua história, fez uma autocrítica e apontou que a sigla deve retomar o compromisso com a ética. Os tucanos fizeram menção indireta à crise interna vivida pelo partido, a partir das acusações feitas contra o presidente licenciado do PSDB, Aécio Neves, como um fator de fragilidade da legenda.

Alckmin, que também é citado na Lava Jato, defendeu a antecipação de eleições internas para eleger uma nova direção. Nos bastidores, Alckmin se movimenta para ocupar espaços do grupo de Aécio na estrutura partidária. Alvo de decisão de afastamento do cargo pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Aécio teme ser retaliado pelo PMDB caso seu partido deixe a base. O senador é alvo de pedido de cassação no Conselho de Ética depois de ter sido gravado pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, pedindo R$ 2 milhões e dando sinais de que pretendia frear a Lava Jato. Já Alckmin está de olho nas eleições de 2018, quando pretende disputar a presidência.

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