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Inflação oficial em 12 meses cai abaixo de 4% pela primeira vez em dez anos

Apesar do sobressalto causado pelo aumento na conta de luz, a inflação oficial do país fechou maio no menor valor em dez anos. Foi a primeira vez, também desde 2007, que a taxa anualizada ficou abaixo dos 4%.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio em 0,31%, an­te 0,14% no mês anterior, na primeira alta após três meses consecutivos de queda.

O aumento foi provocado pela retirada de desconto na conta de luz, concedido em abril para compensar a cobrança irregular pela energia de Angra 3, usina que está com as obras paralisadas.

“Foi uma pressão pontual. Isso não significa que a inflação acelerou”, disse a coordenadora do Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes.

De fato, o índice de maio ficou bem abaixo do 0,78% visto no mesmo mês de 2016. Em 12 meses, o IPCA ficou em 3,60%, bem abaixo do centro da meta oficial, de 4,50%, e a menor taxa desde maio de 2007. Desde junho daquele ano, quando marcou 3,74%, a inflação em 12 meses não ficava abaixo de 4%.

“A safra imensa e a demanda reduzida têm dado pouco espaço para aumento de preços e até contendo pressões por repasses de custos”, prosseguiu Eulina.

O fim do desconto na conta de luz teve peso fundamental no indicador. Com alta de 8,98%, a tarifa respondeu por 0,29 ponto porcentual no IPCA de maio. No mês anterior, quando o desconto foi concedido, o item teve queda de 6,39%.

 

Com o aumento na conta de luz, o grupo Habitação teve alta de 2,14%, também influenciado por reajustes de tarifas de água (0,50%) e de condomínio (0,75%). Vestuário (0,98%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,62%) também puxaram o índice.

Outros grupos que sofrem influência da safra ou do poder de compra da população, porém, continuaram contribuindo para segurar a inflação, como Alimentação e Bebidas (-0,35%), Artigos para Residência (-0,23%) e Transportes (-0,42%). Neste, houve grande influência dos preços das passagens aéreas, que caíram 11,81%.

Entre os alimentos, frutas (-6,55%), óleo de soja (-6,30%), cenoura (-5,86%) e feijão-fradinho (-4,45%) tiveram as maiores quedas.

Alguns produtos começam a registrar deflação também em 12 meses, como cenoura (-33,04%), açaí (-11,99%) e hortaliças (-11,44%).

Em junho, disse Eulina, a perspectiva é de impacto negativo das contas de luz, com a retirada da bandeira vermelha, que custa R$ 3 por 100 kilowatts-hora consumidos.

Por outro lado, o índice deve ser pressionado por aumentos nas taxas de água e esgoto em Fortaleza, Belém, Salvador e Curitiba, além do reajuste do gás anunciado pela Petrobras na quarta-feira.

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse ontem que a inflação em 12 meses deve seguir abaixo da meta de 4,5% ao longo do ano, chegando ao mínimo no terceiro trimestre.

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