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Temer adia votação de reformas trabalhista e da Previdência para se dedicar a ‘sobreviver’

Oposicionistas negociam com Romero Jucá a mudança no calendário da reforma. Foto: Pedro França/Agência SenadoNa tentativa de garantir a sobrevivência no cargo, o presidente Michel Temer decidiu adiar a votação das reformas previdenciária e trabalhista a fim de mobilizar a base aliada para evitar seu afastamento temporário do cargo. A ordem é deixar, neste momento, as reformas em uma espécie de banho-maria e aguardar a apresentação de denúncia contra o presidente pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Na avaliação do Palácio do Planalto, um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) cria o risco de prolongar a instabilidade política e, assim, ameaçar a aprovação de pautas governistas que já contam com resistência na própria base aliada, como as reformas.

A intenção é deixar a votação das mudanças na área previdenciária para agosto no plenário da Câmara dos Deputados e a da reforma trabalhista para o final de junho ou o início de julho no Senado. A expectativa inicial era colocar ambas em votação no início deste mês.

A avaliação de assessores presidenciais é que os dois projetos “mais atrapalhariam do que ajudariam” neste momento e que o esforço prioritário deve ser o de conseguir uma votação expressiva para derrubar a denúncia, sinalizando a retomada da base aliada.

Para não se tornar réu e ser afastado temporariamente do cargo, Temer precisaria do apoio de 172 deputados federais na Câmara.

“A (reforma da) Previdência subiu no telhado momentaneamente. Deve ficar para agosto. Até que a poeira baixe, não dá para computar voto”, comentou Beto Mansur (PRB-SP), um dos principais aliados do presidente na Câmara.

O petebista, que retomaria a contagem de votos a favor da reforma previdenciária, não levou o plano adiante nesta semana. O número de votos favoráveis computados antes da crise política variava conforme o interlocutor – entre 225 e 300 –, mas estava sempre abaixo de 308, mínimo para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Temer quer margem de segurança, o que significa ter entre 320 e 330 votos.

Ontem (8), a leitura do relatório da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado foi adiada para a próxima semana após pressão da oposição.
Os senadores oposicionistas argumentaram que a proposta teria de ter sido incluída na pauta da comissão dois dias antes, o que levou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), a adiá-la para a próxima terça-feira.

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