Arte & Lazer, Literatura

Eduardo Kaze espalha livros por Santo André

Kaze escreve sobre temas um tanto polêmicos, como drogas e prostituição, mas diz ter retorno bastante positivo dos leitores. Foto: DivulgaçãoHoje (9) é dia de Livros de Rua em Santo André. O escritor Eduardo Kaze vai distribuir 100 exemplares de sua última obra, “Paris 20”, por diversos pontos do município hoje e no domingo (11). “Basicamente, percorrerei uma série de locais e abandonarei os livros como presente para quem os encontrar. Na contracapa de cada um está explicado o projeto e há diretrizes de como entrar em contato conosco por meio de email ou pela hashtag #livrosderua para contar como foi a experiência, falar da história, criticar etc”, afirma.

Segundo Kaze, a ideia de “abandonar” os livros pela cidade surgiu, primeiramente, com a intenção de aumentar o número de leitores e, também, como uma maneira de incentivo à leitura. “Vejo também uma deficiência muito grande no marketing voltado à literatura e busco, com este projeto, criar métodos para a divulgação de obras literárias. No futuro, penso em expandir o projeto Livros de Rua, com outros autores e nas demais cidades do ABC”, destaca.

Para o jornalista, a leitura certamente não possui o alcance que hoje têm os filmes, seriados, mas “os leitores estão por aí”. “Basta pegar o trem para encontrar – mesmo que em número imensamente menor aos celulares – pessoas com livros em punho. Da minha parte, tento deixar minha escrita acessível a todos”, afirma Kaze, ao ressaltar que utiliza uma fórmula literária bastante ágil, com parágrafos curtos e sentenças breves, o que facilita aos menos acostumados não abandonar a leitura no decorrer do livro. “Acredito que isso contribua para formar novos leitores.”

Temas polêmicos

Kaze, que escreve sobre temas um tanto polêmicos, como drogas e prostituição, afirma ter retorno bastante positivo dos leitores. Acredita que o papel do escritor é ter coragem para abordar o que melhor couber ao enredo, de maneira que se limitar apenas ao agradável é não apenas covardia, mas negligência do autor. “É necessário sair da zona de conforto para entender o mundo e acredito que não devamos nos limitar apenas às histórias fofas e de finais felizes”, pontua.

Segundo o autor, os temas de suas obras estão bastante presentes na vida noturna das grandes cidades, além de serem muito mais comuns no cotidiano das pessoas do que se costuma assumir. “Gosto destes temas por exaltarem, por um lado, a hipocrisia de se virar as costas para o óbvio da realidade – as pessoas se drogam cada vez mais para suportar a vida moderna -, e, por outro, por serem temas que denotam a decadência contemporânea da sociedade.”

Paris 20

Ambientado em Santo André, “Paris 20” foi lançado em abril de 2016 e narra a trajetória de um jornalista descontente que, após conhecer uma garota e se envolver em um assassinato entra num vórtice de delírios, abusos, drogas e rock ‘n’ roll. De acordo com Kaze, é um livro que dialoga com temas contemporâneos, como o machismo e o senso de urgência fundado na atual era da internet e dos relacionamentos online.

“Recebo muitos elogios, o que me leva a crer que a obra tem sido bem aceita. Quase todos meus leitores recomendaram ou emprestaram o livro após terminarem de ler, demonstrando, então, terem se sentidos satisfeitos com a leitura”, afirma Kaze ao destacar um dos comentários que recebeu sobre sua obra: “Nos dias que correm, Kaze merece os parabéns por mais uma obra publicada. Gosto da ironia do seu texto” – João Silvério Trevisan, escritor.

A rota dos livros

No total, 13 locais receberão os livros, todos de fácil acesso ao público. São eles: Chácara Pignatari; Estação de Utinga; Praça Rui Barbosa; Praça Mário Guindani; Fundação Santo André; Parque Ipiranguinha; Parque Regional da Criança; Terminal de ônibus Santo André/Centro; Avenida Utinga; e Alameda Vieira de Carvalho.

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