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PIB cresce 1%, mas recessão ainda pode ter fôlego

A economia brasileira registrou, no primeiro trimestre deste ano, o primeiro resultado positivo após dois anos consecutivos no vermelho. O Produto Interno Bruto (PIB) – que mede a produção de riquezas do país – cresceu 1% no período em comparação aos últimos três meses do ano passado. É o primeiro desempenho positivo desde o último trimestre de 2014, no final do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

O resultado foi comemorado pelo governo do presidente Michel Temer. Embora o número aponte melhora, economistas afirmam que o desempenho obtido de janeiro a março não é garantia de que o país saiu da recessão.

Os dados que começam a sair do segundo trimestre e a mais recente turbulência política (resultado da divulgação da delação dos irmãos Batista, da JBS) elevam o risco de que o PIB volte a registrar contração nos próximos meses.

A crise política – iniciada ainda em 2014 com as primeiras revelações da Operação Lava Jato – é um dos motivos do emperramento da economia brasileira desde então.

Para especialistas, as duas características que indicam o final da recessão – crescimento em vários setores e em rota sustentável – não estão claramente configuradas atualmente no Brasil.

No primeiro trimestre, entretanto, o crescimento da economia brasileira foi concentrado em produtos voltados para exportação, como soja, milho, petróleo e minério de ferro.

Mesmo o desempenho da indústria de transformação, que subiu 0,9% sobre o trimestre anterior, só não foi pior devido ao aumento das exportações de veículos.

O desemprego recorde (com 14 milhões de pessoas sem trabalho em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é outra barreira para o crescimento da demanda interna.

“É preciso esperar um pouco para ver o que vai acontecer neste ano. A gente teve crescimento no trimestre, mas foi sobre uma base muito deprimida. Se olharmos no longo prazo, ainda estamos no mesmo nível de 2010”, comentou Rebeca Palis, gerente do IBGE.

O resultado positivo no primeiro trimestre foi impulsionado, principalmente, pelo bom desempenho do setor agropecuário, que cresceu 13,4%, embalado por safras recordes de grãos.

Os serviços, que respondem por mais de 70% do PIB, ficaram estáveis e a indústria teve leve alta de 0,9%.
Com o desemprego recorde, o consumo seguiu em leve baixa, de 0,1%. O investimento recuou 1,6%, ainda na esteira da recessão.

Na mosca

O resultado do PIB veio em linha com as projeções de analistas. A previsão central era de uma alta de 1%.
Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a tendência é de que a economia brasileira fique estagnada no segundo trimestre deste ano.

Com o mercado interno sofrendo efeitos do desemprego e do corte nos investimentos, a economia brasileira contou com a ajuda das exportações, principalmente de commodities, para interromper no primeiro trimestre dois anos de retração.

Segundo economistas, sem a forte contribuição dada pelo setor externo, pelo lado da demanda, e pelo setor agropecuário, pelo lado da oferta, não haveria crescimento.

Projeção do banco Haitong indica que as exportações líquidas contribuíram com 1,5% da alta total de 1% registrada pela economia.

Ou seja, a contribuição do mercado interno – consumo, investimento e gastos do governo – teria sido negativa em 0,5% para o desempenho total. Nas contas da gestora Icatu Vanguarda, excluindo-se a agropecuária, o crescimento teria sido de apenas 0,2%.

As exportações do país subiram 4,8% no primeiro trimestre em relação ao aos três meses anteriores.

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