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Com Temer, país ganha 2,6 milhões de desempregados

O país ganhou cerca de 2,6 milhões de desempregados no primeiro ano de governo de Michel Temer. É um crescimento de 23,1% com relação ao contingente observado no trimestre imediatamente anterior a sua posse como presidente interino.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14 milhões de pessoas procuraram emprego entre fevereiro e abril. No mesmo período do ano passado, eram 11,4 milhões.

A taxa de desemprego subiu de 11,2% para 13,6% no período. Foi o pior resultado para o trimestre de fevereiro a abril desde 2012, quando o IBGE iniciou o levantamento.
Temer assumiu no dia 12 de maio de 2016, ainda de forma interina, após afastamento de Dilma Rousseff para julgamento do processo de impeachment no Senado.

Os problemas do mercado de trabalho começaram ainda no início da segunda gestão da petista, já que, no fim de 2014, a taxa estava em 6,5%.

Em seu discurso em maio, Temer colocou a geração de empregos como um dos focos de sua gestão. A posse definitiva ocorreu em agosto.

A melhora do emprego com carteira assinada em abril (com saldo positivo de 60 mil vagas) vem sendo celebrada por Temer, mas a pesquisa do IBGE, que é mais ampla (inclui vagas sem carteira assinada) mostra que essa recuperação ainda não veio.

Mais preocupante é que indicadores que poderiam mostrar que as empresas estão dispostas a contratar (aumento do número de horas extras, por exemplo) continuam bastante enfraquecidos.

No trimestre encerrado em abril, o número de trabalhadores com carteira assinada, por exemplo, foi o mais baixo desde o início da pesquisa: 33,3 milhões.

“As vagas formais tem maior qualidade por garantir às famílias benefícios como planos de saúde”, ressaltou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Por isso, disse Azeredo, a perda de vagas com carteira tem grande impacto na taxa de desemprego, já que obriga outros membros da família a buscar emprego também. “Cada pessoa que perde o trabalho com carteira joga duas ou três na desocupação”, afirmou.

No primeiro ano de Temer, houve aumento só no número de trabalhadores privados sem carteira (3,1%, ou 306 mil pessoas) e de empregadores (10,6%, ou 385 mil pessoas) – insuficiente, porém, para conter a queda do número de carteiras assinadas.

Desaceleração

O coordenador do IBGE ressaltou, porém, que há sinais de desaceleração do desemprego. No trimestre encerrado em abril de 2016, o aumento do número de desempregados com relação ao ano anterior foi de 42%. Neste, foi de 23,1%.

“Podem ser sinais de que a procura por emprego está reduzindo”, afirmou Azeredo, que preferiu ter cautela ao falar sobre uma possível recuperação, alegando que o atual cenário político e econômico pode ter ainda impacto no mercado de trabalho.

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