Delator envolve Michel Temer em compra de silêncio de Cunha | Diário Regional

Delator envolve Michel Temer em compra de silêncio de Cunha

18/05/2017 7:00
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Centenas realizaram protesto contra o governo Temer na Paulista. Foto: Paulo Pinto/AGPTO presidente Michel Temer foi gravado por um dos donos do grupo J&F, proprietário do frigorífico JBS, falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A informação foi dada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”, e confirmada pela Folha de S.Paulo.

Temer indicou para resolver a questão o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), seu aliado próximo, que posteriormente foi filmado recebendo mala com R$ 500 mil enviados pelo empresário Joesley Batista, da JBS.
Temer ouviu de Joesley Batista que estava dando a Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para que ficassem em silêncio. O presidente disse, incentivando: “Tem que manter isso, viu?”

A conversa teria sido em março deste ano. Funaro está preso, assim como Cunha, que manteve por anos relação próxima ao atual presidente dentro do PMDB. Joesley e seu irmão Wesley foram ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin para selar um acordo de delação premiada na última quarta (10).

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. A quantia foi entregue posteriormente a um primo do tucano, em ação filmada pela PF. A delação da JBS também menciona o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como contato da companhia com o PT.
Joesley pagou para Cunha R$ 5 milhões para o ex-presidente da Câmara após a prisão dele, em outubro do ano passado, em um “saldo de propina” remanescente que possuía.

Essa seria a primeira ocasião de uma ação da PF em busca de provas em flagrante dentro da Operação Lava Jato. Isso significa que as ações dos delatores foram combinadas com os investigadores.
Cunha já foi condenado em primeira instância na Lava Jato e, mesmo detido, encaminhou, em processos em que é acusado, perguntas a Temer a respeito de pagamentos em campanhas eleitorais.

Temer nega

Em nota divulgada na noite desta quarta-feira (17), Temer confirmou a reunião com o empresário Joesley Batista, mas disse que “jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio de ex-deputado Eduardo Cunha”. O presidente, segundo a nota, defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.

Michel Temer confirmou em conversa com aliados no final da noite que ouviu do empresário Joesley Batista um relato de que dava dinheiro para o ex-deputado Eduardo Cunha e não manifestou objeção.
Segundo o deputado Carlos Marun, que esteve na reunião, o presidente confirmou aos aliados que Joesley relatou ter dado “auxílio” a Cunha, reiterou que jamais fez qualquer pedido dessa natureza, mas também afirmou que não fez objeções após ouvir o relato. Outros dois participantes de conversas com o presidente confirmaram os relatos à Folha.

Protesto
Centenas de manifestantes se reuniram na noite desta quarta em frente ao Masp, na avenida Paulista, centro de São Paulo, para protestar contra o governo Temer. Após a publicação do conteúdo das gravações, manifestantes foram convocados por meio das redes sociais, engrossando o público no local. (Folhapress)

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