Executivo da OAS afirma que Lula pediu para ele destruir provas de propina | Diário Regional

Executivo da OAS afirma que Lula pediu para ele destruir provas de propina

21/04/2017 6:30
Print Friendly

Lima (centro), defensor de Léo Pinheiro, chega à sede da Justiça Federal, em Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/AGB/FolhapressO empresário Léo Pinheiro, sócio da OAS, disse em audiência em Curitiba que o ex-presidente Lula pediu que destruísse provas sobre propinas que a empreiteira pagou ao PT. Segundo Pinheiro, Lula e ele discutiram sobre propina em maio de 2014, dois meses depois que a Operação Lava Jato ter sido iniciada. O ex-presidente teria perguntado se a OAS pagava propina ao PT no Brasil ou no exterior, segundo o relato feito pelo empreiteiro. Léo respondeu que pagava no Brasil, tudo segundo o empresário.

Segundo Pinheiro, o Lula perguntou se ele mantinha os registros dos pagamentos feitos ao tesoureiro do PT à época, João Vaccari Neto. O empresário teria dito que mantinha. Foi nesse momento, segundo Léo Pinheiro, que Lula disse para ele destruir tudo já. A pergunta sobre a discussão de propina com Lula foi feita pelo advogado do petista, Cristiano Zanin Martins, que defende o petista.

Após a resposta de Léo Pinheiro, Martins ficou quieto, segundo relato de advogados ouvidos pela reportagem. O empresário não esclareceu na audiência se ele seguiu o pedido de Lula ou não.

Tríplex

Segundo Léo Pinheiro, foi Vaccari Neto que o procurou para participar do empreendimento onde foi construído o tríplex em Guarujá, o Condomínio Solaris. “Fiz uma ressalva que a empresa só atuaria em grandes capitais”, disse Pinheiro. “Ele me disse: ‘Olhe, aqui tem algo diferente. Existe um empreendimento que pertence à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, o relacionamento da empresa, estamos lhe convidando para participar disso”, afirmou. Pinheiro disse que procurou Paulo Okamotto, atual presidente do Instituto Lula, que confirmou a informação.

Condenado a 39 anos de prisão e preso pela segunda vez desde setembro do ano passado, Léo Pinheiro negocia acordo de delação premiada, no qual prometeu entregar irregularidades de Lula, do PT e de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Após o depoimento desta quinta-feira (20), os advogados Roberto Telhada e Edward Carvalho deixaram a defesa do empreiteiro. Pinheiro era cliente dos criminalistas desde que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2014. O advogado José Luis Oliveira Lima continua no caso. Antes do depoimento, o Ministério Público confirmou que Léo Pinheiro tem negociado delação premiada com os procuradores. A defesa de Pinheiro disse a Moro que essa negociação não foi feita pelos advogados.

Outro lado

O Instituto Lula e os advogados do ex-presidente chamaram de mentirosa a declaração de Léo Pinheiro, sócio da OAS, sobre o pedido para destruir provas. Também disseram que a acusação foi combinada por procuradores, para que aceitem o acordo de delação premiada que o empresário negocia com o órgão.

“A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-presidente”, afirmou, em nota, de um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins.

“É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula”, pontua. Martins rebateu também a declaração do empreiteiro de que o tríplex do Guarujá é de Lula. A nota diz: “A afirmação de que o tríplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro”.

Para o advogado de Lula, o empresário “foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado tríplex do Guarujá”. O Instituto Lula também diz que a acusação sobre destruição de provas “é desprovida de provas e faz ilações sobre supostos acontecimentos de três anos atrás que jamais ocorreram”.

A reportagem procurou o advogado de João Vaccari Neto, Luiz Flávio Borges D´Urso, sem sucesso.

Palavras-chave:


Comente esta matéria


Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários discriminatórios ( contra raça, sexualidade, cor, crença e outros) , que violem a lei, a moral e os bons costumes poderão ser denunciados pelos internautas , removidos ou não publicados pela redação.
%d blogueiros gostam disto: