Operação leva fiscais à prisão e atinge grandes frigoríficos | Diário Regional

Operação leva fiscais à prisão e atinge grandes frigoríficos

18/03/2017 6:48
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Polícia Federal no Ministério da Agricultura: 33 servidores da pasta foram afastados. Foto:  Valter Campanato / Agência BrasilOperação deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (17) atingiu a imagem dos maiores frigoríficos do país e levantou suspeitas de que pagaram propina a fiscais do Ministério da Agricultura, para liberar produtos estragados e com certificados sanitários adulterados. A investigação tem como alvo 32 empresas, incluindo a JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Big Frango, e a BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. Dois executivos da BRF e um funcionário da JBS foram presos pela polícia.

Foram levados à prisão, em caráter preventivo e temporário, 19 fiscais que fariam parte da organização criminosa identificada pela PF. O Ministério da Agricultura disse que interditou unidades de três empresas investigadas e disse que afastou 33 servidores envolvidos com o esquema.

Segundo os investigadores, os fiscais liberaram em alguns casos até a venda de carne estragada, disfarçada com ácido sórbico, um conservante potencialmente cancerígeno, a reembalagem de produtos vencidos e o uso de cabeça de porco e até papelão na produção de embutidos.

A PF afirma que os frigoríficos exerciam influência no ministério para escolher os servidores que ficariam responsáveis pela fiscalização de suas unidades. Executivos da BRF tinham acesso inclusive a uma senha para entrar no sistema interno dos processos administrativos do órgão, de acordo com a polícia. “Parece realismo mágico. Infelizmente, não é”, diz o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal do Paraná, que determinou as prisões.

O líder do esquema, segundo a PF, era o fiscal Daniel Gonçalves Filho, que foi superintendente do escritório do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016.

“Dedo”, “luva” e “documento” eram alguns dos termos usados pelos fiscais para falar de propina em conversas telefônicas grampeadas pela PF. Peças de picanha, frango, ração para animais e botas foram distribuídas a fiscais, disse a polícia.

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, foi citado na investigação. A PF, porém, não encontrou indícios de ilegalidade na conduta do ministro, que não é investigado. O delegado Maurício Moscardi Grillo afirmou também que o esquema repassou recursos para o PMDB e o PP, mas não apresentou evidências sobre as transferências de recursos.

Outro lado

A JBS, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou em nota que a empresa e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior. “A JBS exporta para mais de 150 países. É anualmente auditada por missões sanitárias internacionais e por clientes.”

A BRF afirma, por meio de comunicado, que está colaborando com as autoridades. A companhia diz que não compactua com práticas ilícitas e que seus produtos e a comercialização deles seguem “rigorosos processos e controles”.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que todos os produtos exportados pelo país são fiscalizados por técnicos nacionais e estrangeiros. A entidade ainda afirma que eventuais falhas são exceções. “São questões pontuais, que não refletem todo o trabalho desenvolvido pelas empresas brasileiras durante décadas de pesquisas e investimentos, para ofertar produtos de alta qualidade.”

A Princípio Alimentos Ltda disse que foi chamada pela Polícia Federal como testemunha e que não tinha mais nada a declarar. As demais empresas não foram localizadas. A reportagem também não localizou o advogado do fiscal Daniel Gonçalves, apontado pela PF como líder do esquema.

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