ABC fecha 743 vagas em fevereiro, e emprego formal cai pelo 27º mês seguido | Diário Regional

ABC fecha 743 vagas em fevereiro, e emprego formal cai pelo 27º mês seguido

17/03/2017 7:00
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Os sinais de melhora na economia expressos nos da­dos nacionais do mercado de trabalho foram comemorados, ontem (16), pelo presidente Michel Te­mer, mas ainda não chegaram ao ABC, que registrou em fevereiro o 27º mês seguido de queda na ocupação com carteira assinada.

As empresas da região fecharam 743 vagas formais no mês passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho.

O úl­timo mês em que as ad­mis­sões superaram as demissões no agregado dos sete municípios foi novembro de 2014. Desde então, a região perdeu quase 86 mil empregos com carteira assinada.

Apesar de ser negativo, o dado de fevereiro é o melhor para o mês desde 2014. Também é melhor que o de janeiro, quando foram fechados 2.219 postos de trabalho, sob influência, principalmente, da dispensa de contratados em caráter temporário no comércio antes do Natal. No ano, o saldo é negativo em 2.934.

Indústria volta a demitir

No corte por atividades econômicas, a indústria deu a principal contribuição negativa para o resultado do ABC, com o fechamento de 856 vagas em fevereiro. O dado reverteu a tendência apontada em janeiro, quando o setor gerou 421 empregos e interrompeu 23 meses seguidos de demissões.

A retomada dos cortes no parque fabril da região foi detectada também pela pesquisa da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), que apontou o fechamento de 700 vagas em fevereiro, após criação de 150 em janeiro.

Diferenças de metodologia explicam a divergência nos dados. Enquanto a pesquisa do Ciesp/Fiesp é amostral e considera empregos com e sem carteira assinada, os dados do Caged são registros administrativos encaminha­dos pelas empresas e consideram apenas vagas celetistas.

Ambos, no entanto, apontam para a ocorrência de flutuações no emprego fabril, especialmente em segmentos co­mo o automotivo, um dos mais atingidos pela crise.
“A atividade da indústria está hesitante, próxima do aumento. Estamos em um período de transição. Enquanto a produção física não apontar claramente para cima, o emprego – que é o último a se recuperar – ainda viverá esse período de altos e baixos”, comentou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.

No sentido contrário, o comércio abriu 86 vagas em fevereiro e os serviços, 146. No terciário, o resultado foi puxado, principalmente, pelos 634 postos de trabalho criados no ensino, em um movimento sazonal gerado pela contratação de professores no início do ano letivo.

Para Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), há tendência de recuperação gradual do mercado de trabalho ao longo de 2017, mas “a maior parte dos empregos serão criados no mercado informal”.

Dados antecipados

Normalmente divulgados na última semana de cada mês, os dados do Caged – os quais apontaram a criação de 35,6 mil postos de trabalho no Brasil em fevereiro, primeiro resultado positivo após 22 meses de queda – foram antecipados em um esforço do governo para gerar notícias positivas.

Em atitude pouco usual para um ocupante do cargo, Temer anunciou os dados em entrevista coletiva. Desde que o número de empregos começou a cair, ainda no governo de Dilma Rousseff, os números do Caged vinham sendo divulgados apenas pela internet, sem a até então tradicional entrevista do ministro da área.

 

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