Governo dá bronca em relator de reforma da Previdência, que tem 146 emendas | Diário Regional

Governo dá bronca em relator de reforma da Previdência, que tem 146 emendas

15/03/2017 6:44
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Arthur Maia irritou o presidente ao dizer que reforma não será aprovada na forma original. Foto: Agência CâmaraNa tentativa de evitar mudanças no projeto de reforma da Previdência, o governo Michel Temer cobrou ontem (14) que o relator da proposta, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), evite se posicionar publicamente contra a iniciativa enviada pelo Palácio do Planalto.

A cobrança também foi direcionada ao líder da maioria, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), que assinou ao menos 25 das 146 emendas que alteraram a proposta.

Durante reunião com a base aliada, realizada pela manhã no Planalto, o governo passou a orientação de que os parlamentares governistas não podem tratar “de maneira negativa” o texto governamental e que é preciso unificar o discurso “para evitar ruídos”.

A exposição foi feita pelo líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), e chancelada pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. A bronca não foi nominal, mas foi direcionada ao relator, segundo auxiliares presidenciais. Na semana passada, Arthur Maia admitiu que o texto não será aprovado pelo Congresso da forma original, o que irritou o presidente.

O relator reagiu e lembrou que, apesar de ter comparecido à primeira audiência da comissão da proposta, Padilha foi embora logo após sua apresentação. Oposicionistas reclamaram da ausência do peemedebista e argumentaram que nem o ministro queria defender a reforma.

Nas palavras de um assessor presidencial, o objetivo é criar “a menor margem possível de mudança”. A ordem é que a negociação sobre eventuais concessões seja feita apenas no fim deste mês e sem declarações públicas.

Os parlamentares tinham até esta terça-feira para protocolar as sugestões de mudanças.

Emendas

Com as 146 emendas ao texto original, enviado pelo presidente Michel Temer em dezembro, os parlamentares, inclusive da base aliada, querem alterações em pontos centrais da proposta, como a regra de transição, a aposentadoria rural, a idade mínima e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência com renda de até 25% do salário mínimo.

Agora, caberá ao relator analisar as sugestões e agregar ou não ao parecer dele. Arthur Maia prevê a apresentação do relatório para a primeira semana de abril.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que, até o final de abril, a Câmara deve votar o texto. O governo espera a aprovação da PEC, nas duas Casas, até o fim deste semestre.

Em reação às críticas na base aliada sobre a estratégia de comunicação, o Palácio do Planalto reformulará a campanha televisiva em defesa da reforma e vai intensificar vídeos nas redes sociais.

Para congressistas da base aliada, tem faltado ao governo adotar posição mais incisiva e que rebata o discurso da oposição, que contesta a tese sobre o aumento do rombo previdenciário e critica a necessidade de contribuir por 49 anos para ter o benefício integral.

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