Temporadas de moda de Milão e Paris repensam papel da mulher no mercado | Diário Regional

Temporadas de moda de Milão e Paris repensam papel da mulher no mercado

09/03/2017 6:00
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Na Semana de Moda de Paris, as marcas se uniram para repensar o papel da mulher no mercado de trabalho, seus costumes e sua luta contra o machismo. Foto: DivulgaçãoNa história da moda, as mulheres ocupam lugar de destaque. Mas qual destaque?

Até pouco tempo, o de consumirem modelos estabelecidos por estilistas e grifes que, por sua vez, gestavam padrões de silhueta e comportamento dentro do escopo de uma pretensa feminilidade. A fórmula se desgastou e, nesta temporada de inverno 2018, o padrão feminista se sobrepôs a essa lógica rosada.

Desde Milão até o último dia da Semana de Moda de Paris, na terça (7), as marcas se uniram para repensar o papel da mulher no mercado de trabalho, seus costumes e sua luta contra o machismo.

Todas essas questões foram ensaiadas por grandes estilistas do século 20, como Coco Chanel e Yves Saint Laurent, mas nunca adotadas com firmeza nas araras “girlie” e “ladylike” das lojas -essa imagem de garota “feminina”, com roupa de moça comportada.

Segundo as passarelas, elas podem tudo: usar alfaiataria combinada com saias (Dior), mostrar o corpo (Saint Laurent), serem góticas-românticas (Valentino), amazonas fetichistas (Hermès), descombinar tons pastel com estética militar (Miu Miu), adotar a lingerie e o esporte como uniforme do dia (Louis Vuitton), subir a montanha (Moncler)… Só não podem deixar de ir à luta.

E foram exatamente os períodos de luta as chaves da estação, que coroou o vermelho e o azul como dupla cromática. Os anos 1970 que são obsessão da Gucci, os 1960 revistos por Chanel e Miu Miu e os 1980 que permearam a Valentino são alguns exemplos.

A estilista Maria Grazia Chiuri, da Dior, enveredou pelo caminho do feminismo ao se inspirar na roupa das sufragistas, mas foi Miuccia Prada a mulher que se posicionou no “front” dessa guerra.

Para além da passarela da Prada, em Milão, que fez referência aos movimentos feministas, a da Miu Miu em Paris foi um tapa no conceito de beleza angelical.

Grife mais “jovem” do grupo de moda que leva o nome da estilista, apresentou um emaranhado de looks desconectados, alguns com pelúcia, outros com paetês, que chocaram os fashionistas conservadores. “Mas isso é bonito?”, questionaram. “E o que é para ser bonito numa mulher?”, perguntou Miuccia na coleção.

Afinal, se ela quiser sair com casacos que parecem roupões de banho estampados, quem deveria dizer que isso é errado?

SEM FRONTEIRAS

Há vários tipos de mulher marchando pelas ruas, e parece ser esse o recado final, embora tardio, das marcas de luxo do hemisfério Norte.

A maior delas, a francesa Louis Vuitton, resumiu o sentimento de incerteza sobre o futuro em tempos de guerra e, ao mesmo tempo, elucubrou sobre o lugar das mulheres nessa batalha.

O estilista Nicolas Ghesquière apresentou o desfile mais contemporâneo da temporada, montado no meio da ala Richelieu do Louvre.

Distribuídos por espaços entre as escadarias, os convidados eram separados por muros que impediam a visão imediata das roupas. Qualquer lembrança do muro de Trump não é mera coincidência.

Ao seu reconhecido trabalho de remodelar o uniforme de “motocross”, herança dos tempos em que chefiava o estilo da Balenciaga, Ghesquière adicionou referências selvagens, esportivas e do guarda-roupa de dormir.

Nos primeiros blocos da coleção, há peles misturadas a calças cuja imagem, à primeira vista, remetem ao jeans. São, na verdade, uma mistura de várias tramas de uma base de lã que receberam processos de enceramento.

Grafismos da indumentária indígena foram aplicados em detalhes de cardigãs pesados, nas pequenas bolsas de mão e nas barras de um conjunto esportivo.

REFÚGIO CANADENSE

Esse ideal meio anti-Trump também é norte de Giambattista Valli, estilista da Moncler. Na passarela inspirada nas montanhas do Canadá, o designer italiano constrói uma visão de conto de fadas sobre o país comandado por Justin Trudeau.

As folhas alaranjadas características de um outono nas montanhas geladas do país combinavam com os tons de rosa, vermelho, verde e branco que compuseram a coleção. A estética “girlie” é oposta à imagem feminista da temporada, mas na Moncler esse retrato adolescente é colocado como contraponto da realidade nada florida, um escape para o mundo real onde, a moda agora entende, cabe às mulheres optar por vesti-lo ou não.

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