Denúncias de homofobia a ONG do ABC aumentam 416% | Diário Regional

Denúncias de homofobia a ONG do ABC aumentam 416%

17/03/2015 10:13
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Vítima vai tentar mudar o registro de agressão para tentativa de homicídio - Foto: Arquivo pessoalA ONG Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual (ABCD’S), de Santo André, denuncia que estão aumentando os casos de homofobia na região do ABC. Segundo o presidente da organização, Marcelo Gil, neste ano já foram 16 ocorrências e durante todo o ano de 2014, 93 casos chegaram ao conhecimento da ONG. “Foi um aumento gradual desde 2012, que teve 18 casos. Em 2013 as denúncias chegaram a 61”, explicou. Na comparação de 2012 com 2014, o aumento é de 416%.

Os mais recentes impressionam pela violência. No dia 07 de março, foi encontrado em Santo André o corpo do funcionário publico Rodrigo dos Santos. A vítima, que foi assassinada dois dias antes (5 de março) estava sem roupas, sobre o sofá, e foi enforcado com um cadarço de tênis. A casa estava toda revirada. “A polícia diz que foi um caso de acerto de dívidas de drogas, mas isso não é verdade. As pessoas que o conheciam afirmaram que ele não tinha problemas com drogas. Em 2005, outro homossexual foi morto com os mesmos requintes de crueldade”, relembrou Gil.

No dia 10 de março, em São Bernardo, o engenheiro eletricista Rodrigo Mariano Miguel voltava para casa, no bairro Assunção, quando foi atacado com um facão pelo vizinho. Segundo Miguel, os dois já haviam se desentendido em novembro do ano passado, também por motivo de homofobia, mas até então, as agressões eram apenas verbais. “Quando passei por ele na entrada do condomínio, a esposa estava ao lado e perguntou: ‘Tem certeza que é isso que você quer fazer?’ Ele respondeu: ‘sim’ e ela disse ‘então faça’. Estava esperando o elevador quando senti a facada e caí no chão. Ele ainda me ofendeu e disse que eu iria morrer. Gritei e o zelador o segurou”, relembrou.

A vítima então se arrastou para o elevador e até o apartamento, que divide com um amigo, e a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados. “A polícia e o Samu chegaram juntos. Ele foi levado para o 3º DP (Delegacia de Polícia), mas o caso foi registrado como agressão. Pagou fiança e foi liberado e eu fiquei internado até hoje (ontem, dia 13), completou o engenheiro. Maciel teve um osso da coluna trincado, devido a profundidade do corte.

Insegurança

O presidente da ONG destaca que a ausência de uma Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) na região agrava ainda mais a situação de insegurança de gays, lésbicas, bisexuais, transexuais e travestis (LGBT). “Neste caso, estamos auxiliando com assistência jurídica e também assistência psicológica pós-traumática. Porém, muitas pessoas nem sabem onde podem procurar ajuda. Se cada cidade tivesse sua coordenadoria LGBT, talvez o combate à homofobia fosse mais efetivo”, lamentou.

Gil lembrou que nem todas as denúncias se convertem em queixas na polícia. “Sempre que somos notificados orientamos as vítimas a registrarem o caso no Disque 100 e também a fazer o Boletim de Ocorrência. Mesmo assim, ainda precisa de disposição para dar andamento ao inquérito, o que muitas vezes não acontece, porque eles têm medo do preconceito e de retaliação”, concluiu. O homem acusado por Rodrigo Miguel de ser o agressor não foi localizado pela reportagem, por isso seu nome não foi citado nesta matéria. A vítima vai tentar mudar o registro de agressão para tentativa de homicídio.



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