Em 11 anos, indústria química do ABC 'encolheu' 25%, diz estudo | Diário Regional

Em 11 anos, indústria química do ABC ‘encolheu’ 25%, diz estudo

07/05/2014 11:58
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Giovanni Rocco, Marinho, Siraque, Cerqueira e Zuñeda, durante evento: setor em alerta - Foto: Wilson Magão / PMSBCA indústria química e de transformação do plástico e da borracha do ABC faturou R$ 49,5 bilhões em 2013, montante que representa 13,7% das vendas do setor do país. Porém, os dados aparentemente positivos escondem cenário preocupante, expresso na perda de peso do segmento na economia local, na dificuldade para atrair investimentos e no crescimento em ritmo inferior ao da média do Brasil.

Os números integram o estudo “A importância da indústria química no desenvolvimento econômico do ABC”, realizado pela consultoria Maxiquim com apoio da Braskem, do Consórcio Intermunicipal e da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Químico, Petroquímico e Plástico do Brasil.

Segundo o estudo, o setor reduziu em um terço sua “fatia” no Valor Adicionado Fiscal (VAF) industrial do ABC. O indicador expressa o valor acrescido a um bem quando transformado em um processo produtivo e seu consequente incremento na riqueza municipal. Entre 2000 e 2011, o VAF do setor químico no ABC caiu 25%, de R$ 13,6 bilhões para R$ 10,2 bilhões. Não por acaso, no mesmo período, sua participação na indústria de transformação da região recuou de 30% para 20%.

“As indústrias do setor químico no ABC não se especializaram em fabricar produtos de alto valor agregado, apesar da proximidade com as cadeias produtivas automotiva e aeroespacial, que oferecem excepcionais oportunidades de crescimento”, comentou João Luiz Zuñeda, sócio da Maxiquim, durante o lançamento da pesquisa ontem (6), em Santo André.

Segundo o estudo, o setor é composto no ABC de 1.330 indústrias, das quais 63% atuam na transformação de plástico e borracha e 91,8% são micro e pequenas. O setor emprega 50,2 mil pessoas, com salário médio de
R$ 3.038, montante 2,3 vezes maior do que a remuneração média da indústria de transformação no país (R$ 1.335).

Produtividade

Entre as causas da perda de peso do setor no ABC está a baixa produtividade – que, de acordo com o levantamento, despencou a uma taxa anual de 4,5% entre 2000 e 2011. Zuñeda explicou que, embora a região tenha atraído R$ 10,2 bilhões em investimentos no período, a inovação está restrita à primeira e segunda gerações (fabricantes de matéria-prima e produtos intermediários) da cadeia. Além disso, a região carece de foco na especialização e qualificação dos empregos.

Outro agravante, segundo o estudo, é a dificuldade de obtenção de áreas para expansão da capacidade do parque instalado ou para atração de novas empresas, em função do elevado preço dos terrenos e da grande quantidade de áreas de manancial protegidas.

Junte-se a isso um cenário macroeconômico “desafiador”, como avaliou o vice-presidente da unidade de petroquímicos básicos da Braskem, Marcelo Cerqueira. Leia-se: carga tributária elevada, câmbio desfavorável e energia elétrica cara.

Além disso, há o boom do gás de xisto (shale gas) nos Estados Unidos, que ressuscitou a indústria química norte-americana, tornando-a mais barata do que a brasileira, baseada no uso da nafta extraída do petróleo para a produção de resinas. “A nova base dos EUA permite produção mais barata, mas a base nafta, se bem trabalhada, proporciona grande número de oportunidades”, disse Cerqueira.

S.Bernardo detém um terço do setor na região

São Bernardo foi o município que menos sentiu a desaceleração da indústria química e de transformação de plástico e borracha do ABC. Segundo estudo divulgado ontem (6) pela consultoria Maxiquim, a participação da cidade no Valor Adicionado Fiscal (VAF) do setor na região subiu de 28% em 2000 para 33% em 2011. Também elevaram sua fatia no “bolo” Diadema (de 16% para 20%) e Mauá (de 19% para 21%). Em números absolutos, porém, houve queda.

O presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), destacou o esforço do município para atrair investimentos nas áreas aeronáutica e de petróleo e gás, as quais podem alavancar negócios no setor químico. Ressaltou ainda a necessidade de revisão da Lei de Zoneamento em parte das cidades da região, a fim de estimular a ocupação industrial. “Determinamos que nenhum espaço industrial em São Bernardo seja transformado em local para especulação imobiliária. Ou a indústria traz projeto para geração de emprego ou não usa o terreno”, afirmou.

No sentido contrário, a fatia de Santo André caiu de 30% para 23% no mesmo período. Para o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Químico, Petroquímico e Plástico, Vanderlei Siraque (PT-SP), as mudanças na Lei de Zoneamento da cidade prejudicaram a indústria local. “A vocação da Avenida dos Estados era as fábricas, mas a lei deixou construir habitação. Os terrenos da (antiga Cidade) Pirelli têm espigões e um shopping. Santo André corre o risco de ter sua economia baseada no comércio e virar cidade-dormitório”, disse, citando como exemplo o fechamento da Rhodia Química.

Para retomar o crescimento do setor, o vice-presidente da unidade de petroquímicos básicos da Braskem, Marcelo Cerqueira, ressaltou a necessidade de organização e integração da cadeia produtiva do ABC, a fim de competir em melhor condição com outras regiões do país e também globalmente, já que a crise de 2008 gerou sobreoferta de produtos químicos no mercado internacional.

“Precisamos usar as especialidades que temos na região para atrair produtos de valor agregado na área de cosméticos, tintas. Aí a tecnologia passa a ser o diferencial, e não o salário mais alto do ABC”, disse o executivo, para quem o poder público tem papel fundamental nesse processo de integração. Cerqueira sugeriu, por exemplo, que o Consórcio estude, juntamente com empresas locais, as atividades que devem ser atraídas para os poucos terrenos disponíveis na região.

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