Torcedor morre atingido por privada no PE | Diário Regional

Torcedor morre atingido por privada no PE

04/05/2014 6:36
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Um torcedor do Sport Club do Recife que estava na torcida do Paraná morreu ao ser atingido por um dos dois vasos sanitários arremessados do alto do estádio do Arruda, no Recife, após o jogo entre Santa Cruz e o clube paranaense, na noite de sexta-feira (2).
Paulo Ricardo Gomes da Silva, 26 anos, saía do estádio com a torcida do Paraná, quando foi atingido. Outras três pessoas foram atingidas por estilhaços dos vasos e foram levadas para unidades de saúde do Estado. Segundo a Secretaria de Saúde, nenhuma corria risco de morrer. Válido pela Série B do Campeonato Brasileiro, a partida terminou empatada por 1 a 1.

Câmeras da Secretaria de Defesa Social flagraram o momento em que as privadas foram arremessadas, mas não mostram quem as atirou da arquibancada. A polícia ainda não tem suspeitos. Se identificados, os culpados deverão ser indiciados por homicídio doloso, quando há intenção de matar. As privadas foram arrancadas de um dos banheiros do estádio, segundo a secretaria.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) interditou ontem o estádio do Arruda. A interdição do estádio foi definida pelas diretorias jurídica e técnica da CBF. O procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Paulo Schmitt, vai oferecer denúncia contra o Santa Cruz. O clube deverá ser enquadrado nos artigos 211 e 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

O secretário de Assistência Social, Alessandro Carvalho, responsabilizou o Santa Cruz pela morte do torcedor. Segundo Carvalho, o clube não tem as câmeras internas exigidas pelo Estatuto do Torcedor e deveria ter garantido segurança privada no interior do estádio.

“O que deixou de ser feito não foi por parte do Estado, foi por parte do Santa Cruz. Houve falha? Houve e atribuo ao clube, que é responsável pelo que acontece dentro da área dele”, disse Carvalho ontem. “Fazer vistoria para saber se ficou algum torcedor (no banheiro) não existe”, afirmou.

Questionado sobre a responsabilidade de exigir do clube as câmeras, o secretário indicou a Federação Pernambucana de Futebol e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Segurança

Segundo o governo de Pernambuco, havia 8.029 torcedores e 228 policiais militares dentro e fora do Arruda. A Secretaria de Defesa Social informou que esse efetivo se justifica porque o evento era considerado como de “menor potencial de problemas”. “Quem tem de fazer a segurança patrimonial não é a Polícia Militar de Pernambuco, é o clube que está organizando o jogo. O policiamento foi proporcional (à dimensão do jogo)”, afirmou Carvalho.

Segundo o governo do Estado, o jogo terminou às 22h50 e a torcida do Santa Cruz foi liberada primeiro. A torcida do Paraná, juntamente com torcedores do Sport – cerca de 50 pessoas, de acordo com o secretário – saiu escoltada do estádio às 23h10.

Houve rápido princípio de confusão com torcedores do Santa Cruz que moram no entorno do estádio, de acordo com a Polícia Militar. Os vasos sanitários foram arremessados justamente quando os torcedores do time visitante passavam pela Rua das Moças.

Desde abril deste ano, as torcidas organizadas foram proibidas pela Justiça de Pernambuco de entrar em estádios no Estado.

Imprensa internacional repercute a morte em Recife

A morte do torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, atingido por um vaso sanitário arremessado do alto do estádio do Arruda, em Recife, repercutiu na imprensa estrangeira. O site do jornal espanhol “Marca” publicou a notícia e divulgou uma foto do corpo coberto por um pano e dos pedaços estilhaços da privada pelo chão.

Além de relatar a morte do torcedor, a página eletrônica do jornal inglês “Daily Mail” abordou casos de violência no país, como no Rio e em Salvador, e acidentes fatais na construção de estádios. “A morte do torcedor é o mais recente choque para o Brasil no período de preparação para a Copa do Mundo”, escreveu o jornal.

O texto do italiano “Gazzetta dello Sport” sobre a morte em Recife começa com uma pergunta: “Existe coisa mais absurda que morrer por uma partida de futebol?”.

 



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