Mostra celebra o universo sombrio de Iberê Camargo | Diário Regional

Mostra celebra o universo sombrio de Iberê Camargo

04/05/2014 15:02
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SÃO PAULO – Iberê Camargo foi uma espécie de arquiteto da solidão. Na mostra que celebra seu centenário, no Centro Cultural Banco do Brasil, fica claro como o artista, morto aos 79, há 20 anos, construiu um universo singular, quase todo azul e cheio de figuras à beira da morte. Do subsolo, onde estão seus estudos e um amplo recorte de sua obra gráfica, ao terceiro piso, que concentra as enormes telas de sua chamada fase trágica, estão expostos desde os alicerces mais tímidos de sua pintura até seu auge expressionista.

Ocupando todo o antigo banco no centro paulistano, as 150 obras não respeitam uma cronologia, embora o fim de sua vida, a produção dos anos 1990, esteja em peso maior no terceiro andar e o segundo piso tenha as pinturas dos anos 1960 e 1970. Sua pintura parece obcecada em afirmar a própria presença, o peso físico de estar aqui e agora mais do que qualquer noção de devaneio.

Nesse ponto, suas telas dos anos 1950, abarrotadas de carretéis, uma lembrança de infância que se tornou o símbolo máximo de sua obra, são composições espessas que parecem transbordar do quadro.

Fase de transição

Entre os carretéis e a abstração plena dos anos 1960 e 1970, está uma de suas fases mais poderosas. São telas negras, de uma escuridão aterradora só rompida por vultos de carretéis esbranquiçados, quebrando o silêncio.
Foi depois dessa espécie de expurgo da cor que apareceu sua fase mais gestual e abstrata, com tons coloridos.

Camargo parecia se entregar ali a um expressionismo histérico, em que mais do que a forma final dos quadros importavam seus gestos, a violência do pincel sobre a tela.Parecia construir a antessala de sua fase trágica, mais silenciosa e toda azul.

É difícil reduzir a obra do artista a um só momento, mas o terceiro andar da exposição é sem dúvida o ponto máximo de sua trajetória plástica. Estão lá suas “idiotas”, as figuras quase amorfas, de rostos cadavéricos e olhos ausentes, que aguardam solenes e patéticas o próprio fim.

Serviço – “Iberê Camargo – Um Trágico nos Trópicos”. De quarta a segunda, das 9h às 21h. Até 7/7. Local: Centro Cultural Banco do Brasil, rua Álvares Penteado, 112. Informações: 3113-3651. Entrada gratuita.



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